Manoel foi pro céu.

manoel foi pro céu

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(d)escrevo

descritas

das coisas impossíveis de serem descritas: tudo. entre um tudo e outro, infinitas posições de nadas. em superposições entrelaçadas, formando tiras helicoidais de universos. nós somos um filete disso aí. e menos. muito menos. e fazemos coisas estúpidas, pois nos consideramos grandes. nós somos grandes se comparados a um vírus. e somos tão grandes que é simplesmente como se não existíssemos pra eles. eles não existem pra nós. e nós não existimos pra eles. é uma dança diplomática de consciências negativas. a gente dá a mão. e segura o vento.

- J.Castro


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não o seu amor

naoamor

eu não sou o seu amor. donde é que saiu essa, afinal de contas? eu não sou o amor de ninguém, nem da minha mãe. então, por que você não pensa bem antes de falar uma coisa dessas? eu poderia ser o seu amor, mas eu não sou. desculpa. você não pode ficar falando essas coisas pra um sujeito como eu. eu poderia ser muito mais louco do que realmente sou. eu poderia ser um maníaco. um pedófilo. eu poderia ser uma das infinitas possibilidades em que você se fode de verde e amarelo na mão de um psicopata homicida, garota. não saia pelas baladas chamando os perfeitos desconhecidos que passam pela sua vida de “amor”. eu estou fazendo um favor a você. o seu amor de verdade deve estar pra chegar a qualquer momento. logo depois de termos aquela conversa. a conversa que você não sabe ainda que teremos. e eu começarei essa conversa, que só existe pra mim, por enquanto, com um escabroso “eu acho que a gente precisa conhecer gente nova”, um clichê bem monstruoso mesmo, bem covardão, que é pra você ficar bem puta e abrir uma vaga nesse seu coração burro pra um amor de verdade.

- J.Castro


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fotocracia, o texto

fot1

FOTOCRACIA

Nas temperaturas das sombras. Como um portal que se abre, janela depois de janela, em infinitas aberturas que comportam seres já habituados à escuridão. Esquecidos. Já não lembram mais da luz da cidade. E não percebem a verdade, ali iluminada: a luz vê a cidade.

O concreto desenha formas de natureza, numa inversão que nos faz pensar. A luz refrate e reflete e bloqueia suas escuridões primordiais na cortina de pó humano. Toda luz tem um ímpeto inicial em manter-se na treva. A vontade de existir quebra esta preguiça original. Não é muito diferente com as mulheres e os homens da cidade, vivendo submersos numa bruma de plástico que se espalha por todas as direções.

As luzes da cidade ficam mais intensas nas dobras das sombras que se formam nos recortes da arquitetura às vezes tão triste. Tão dura consigo mesma. A luz, na tentativa de suavizar a tudo, apenas aumenta o contraste, aumenta as diferenças, e põe tudo a perder. Ou quase.

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Os sinais luminosos avisam. Orientam . Controlam . Numa sociedade de controle a luz fica como uma prisioneira, tendo hora para existir, tendo hora para se extinguir. Como a humanidade. Meio com hora pra tudo.

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não é mais

suicida

eu respeito os suicidas. eles tiveram coragem. e sobre suicida a gente só pode falar assim: no passado. eu conheci um suicida. ele era legal. mas antes de ser um suicida. quando ele começou com essas ideias de suicídio, todo mundo achava que era brincadeira. diziam: tudo bem, amigo suicida, amanhã a gente conversa. e ele argumentava: tudo bem, amigos preocupados, mas amanhã talvez já seja tarde demais. eu gostava de brincar quando ele falava isso: tardemais. talvez amanhã seja tardemais. o amanhã foi ontem. o meu amigo suicida não é mais. nunca mais será. eu respeito os suicidas pela coragem de não serem mais. eu já fui tanto. mas não tenho coragem de não ser: mais.

- J.Castro
*ilustração de Thiago Micalopulos


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tempoverbal

estatuas

o tempo verbal que me deixa meio banal. num tempo que já é quase sem tempo. já não era sem tempo? não sei. eu me perdi no meio do tempo. na palavra, porém, me recuso a usar regras temporais. se já não era sem tempo, por que se preocupar com o tempo que já era? eu escrevo meio fora do tempo. meio não: todo. o tempo me obriga a ser sincero. eu escrevo completamente fora do tempo. e o motivo pra isso é o seguinte: eu sou amigo do tempo: e ele é amigo meu. a gente é aquele tipo de amigo que dá tempo um do outro, mas quando volta a se falar é como se nem tivesse ficado longe. é bonito. é meio gay. mas é assim. eu e o tempo. quando o tempo quer dar um tempo, eu dou. mas depois eu pego de volta. porque tempo a gente empresta. não dá. você acha que tempo dá em árvore? até dá. mas não pode gastar. tempo precioso: clichê. tempo ocioso: cadê? um tempo verbal, meio precioso, meio ocioso, que apenas me deixe: banal.

- J.Castro


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sem vocabulário

babaca

FORA DO MEU VOCABULÁRIO

Acompanho com o olhar
suas risadas sujas
e esse vangloriar babaca
de mulher que se acha
muito mais do que é.

Babaca.

Pode ser o meu recalque,
mas eu prefiro achar que é o seu,
pois “recalque” é uma palavra
que eu uso meio sem saber o significado,
assim como todo o resto do mundo,
que também usa meio sem saber,
então sei que ela continuará a significar
a mesma coisa pra você, pra vocês e pra mim,
lá no final dessas contas poéticas;
ou seja: nada.

Eu gosto dessas palavras que usamos,
mesmo quando não sabemos muito bem
o que elas significam.
A verdade é que, lá no fundo, nós sabemos sim
o que elas significam.

Sim.

Então eu uso as tais palavras
que estão fora do meu vocabulário
de não saberes
para falar de você.

Porque é assim que eu lhe sinto:
fora do meu vocabulário.

E eu sei que isso
pareceu uma coisa boa,
mas não se engane: isso é ruim.

Tão ruim que eu fico
todo sem palavras.

Sabendo-me recalque puro.

- Michel Consolação


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preguiça da raiva

raiva

Num mergulho de pupila dilatada, refletindo, repelindo, cuspindo a tudo como um buraco negro às avessas: eu simplesmente fico. O maior alterador de consciência é a raiva. E eu vejo isso quando você me olha com esses olhos ardentes de pupilas arreganhadas. Eu sei que tem muita raiva dentro desses dois infinitos buracos de nada. E então eu vou longe, lá dentro da minha cabeça, pois a imaginação é uma coisa maravilhosa mesmo, uma coisa sem controle, ela é meio como esse seu humor aí: incontrolável. E isso faz parte do seu charme. Era o que eu achava no começo, ao menos. Agora eu não acho nada. Fico só controlando esses fetiches de sadomasoquismo que eu tenho preguiça ou medo demais para realizar. Pego-me pensando em suas mãos pequenas de escritor ocioso abraçando o meu pescoço num movimento de jiboia destemperada. E, numa associação também preguiçosa, eu penso no abraço bom que era apenas pensar nos seus destemperos, tão bonitinhos em outras eras. E agora tão chatinhos. Acho que tudo se resume a uma espécie quase fofa de preguiça. E eu estou com preguiça de aturar os seus acessos de raiva. Assim eu fico inacessível. Sua raiva faz brotar uma preguiça em mim. Você já foi mais bonitinho. Ou eu que já tive menos preguiça? Dilemas. Sua raiva me dá preguiça. Isso é certo. E você já foi mais bonitinho.

(v.c.k.)


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