o ego ou você

egovc


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dois do Michel

cadeira1

amortumor


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três do Jota

assobio

lirismo

somos


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escrever

desafiando

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PARCONFLITO

parconflito

PARCONFLITO

faço bonito
no bar escasso
de algum agito
:
então medito
na situação
e fico aflito
:
sou esquisito
e me vou
todo finito
:
eu reflito
sobre o seu
parco conflito
:
fico no escrito
onde é bico
ser contradito
:
saio finito
deste raio
de mudo grito
:
por isso admito
que dessa dor
sou um erudito
:
e saio do bar
sentindo
o infinito

- J.Castro


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olhonolho

olhos

o olho no olho. que não existe mais. que não há. agora é a vez do olho de soslaio. que é regra. que está aí: epidêmico. ninguém mais gosta de olhar com força dentro do olho do outro. isso é até visto como sinal de loucura. o olho parado: cara de louco. eu não tiro o olho do olho. eu prefiro passar como louco. pois louco é quem tem medo de olhar. ou quem gosta muito. aí entra aquela lengavelha de caminho do meio. equilíbrio e tals. tem que olhar, mas sem muito esforço. com uma elegância preguiçosa. uma alavancagem aveludada e um tiquinho de sacanagem. coisa que me preocupa: essa sociedade de olhos bambos. de olho pra lá e pra cá. ou se olha pouco. ou se olha muito. você vai ao bar e está todo mundo com os olhos fora de órbita. fora de suas mesas. de seus balcões. longe de tudo. e eu fico numa carência de olhar. preciso admitir essa viadagem aqui. neste peito aberto. neste olho tão acostumado aos imobilismos. eu sou mesmo um cara de olho parado. sinal de que tudo está se movendo aqui dentro. aqui dentro onde? sei lá: isso apenas faz parte do meu repertório de coisinhas que falo sem pensar. talvez não haja um: aqui dentro. e talvez não há nada dentro de: ninguém. e é por isso que os olhos andam tão evasivos. isso é falta de alma. tá todo mundo oco. complicado isso aí. a gente não se olha mais no olho. e o problema está num dentro que nem é dentro nenhum. a linguagem é bela. mas só fode.

- J.Castro
*ilustração de Thiago Micalopulos


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assobio quântico

sutil

Assobio quântico que eu agora preciso aturar. Tão clichê citar física quântica. Tão clichê dizer que algo é clichê. Quase tudo é clichê. Mas este assobio, que desdobra minha autoproclamada mente em ondas crispadas de sentimentos quânticos, está aqui, de um jeito nada clichê, abrindo dimensões. Não são as dores de um amanhã, colocando-se como um ontem quase esquecido. Ou uma memória desgarrada, confundindo-se propositalmente com o manancial das informações geradas pelo agora. É uma suavidade primordial. Sem localização. Mas preenchendo todos os lugares. Numa descansada configuração dessa mente quase sutil. Não sou uma pessoa que simpatiza com as sutilezas. Sou ríspido. Mas meu comportamento de átomo bobo me obriga a experimentar outras configurações na vida. Então eu fico sutil de vez em quando. Só pra variar. Quanticamente falando.

- Vaner Micalopulos
*ilustração de Thiago Micalopulos


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seus olhos meus

serial

SEPARAÇÃO CIRÚRGICA

Olhos seus, que bem poderiam ser meus, com o perdão da psicose fofa, tão feio isso, tão coisa antiga, a modernidade é esquizofrênica, não psicótica, a psicose é uma epidemia dos anos oitenta, não que eu entenda do assunto, mas isso saiu legal (analisando a tudo pelo ponto de vista de um diagnosticador de texturas psicológicas), eu apenas acho, honestamente, que deveríamos pensar menos e olhar mais, é esta a maior lição de todas, os poetas falam isso há eras, então não me olha com essa cara de que já era, não adianta decretar o fim do sei-lá-o-quê sem me consultar, eu sei que tenho uma parte menor nisso tudo, nesse troço de nós dois, nesse combinado de olhar torto, mas ainda somos sócios, parte dos seus olhos ainda são meus, e eu ainda me esgano nessa vontade de raptar a essência dos movimentos mais ínfimos dos seus globos oculares gordos (eu falava isso, globos oculares gordos, e você sorria), esses olhos seus, então assumo logo que os queria de uma maneira psicótica, eu sou bem anos oitenta mesmo (está na moda ainda curtir coisas dos anos oitenta?) e tudo daquela década é um super estímulo para os olhos, esses olhos cansados, que não aguentam mais, tudo é imagem hoje em dia, o olhar sofre com isso, e eu sei que o olho é seu, mas é meu também, somos sócios nisso de estarmos cirurgicamente ligados um ao outro, enfim, e é claro que a separação também envolve cirurgias, você pode levar isso no sentido metafórico da coisa se assim quiser, só que eu nunca fui muito bom com metáforas de coisas e, na verdade, eu falei-escrevi tudo que falei-escrevi apenas pra falar-escrever isto: que você cuide melhor dos seus olhos, pois amanhã eles serão meus.

- Vaner Micalopulos
*ilustração de Thiago Micalopulos


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