Musa Inexistente

musa

MUSA INEXISTENTE

Olho apertado que me traria a calma
e cabelos formando ondas de paz
que deixariam tranquila a minha alma:
montaria por mim um sonho lilás.

Sopraria versos doces com vivalma,
para, assim, dar-me um lírico gás;
numa preguiça, daria-me na palma,
diria-me: “é pro seu bem, meu bom rapaz!”.

Indescritível musa, inexistente,
imagino-a em discussões oníricas:
minha burrice ficaria patente.

Afundaria-me em suas mechas pacíficas,
procurando meu herói latente
em suas ilusórias curvas magníficas.

- Michel Consolação



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BOBALEGRE

bobalegrice

Deve-se estar preparado para nunca mais recuperar aquela alegria de antes. Pois as pessoas confundem alegria com felicidade. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Elas podem estar juntas em parte, mas não num hipotético todo.

Deve-se estar preparado para nunca mais rir à toa. Deve-se estar preparado para uma pequena faixa de tristeza que irromperá às vezes no peito outrora alegre e ser feliz mesmo assim.

Deve-se estar preparado para nunca mais achar graça nas coisas que já foram engraçadas, naquelas épocas em que tudo era de uma alegria sem propósito, em que tudo era apenas um movimento automático de bobeiras e falsas alegrias. Pois a vida é uma sucessão de calamidades, algumas boas e outras nem tanto. A maioria é neutra. E só.

Deve-se estar preparado para encontrar a felicidade a todo custo, na alegria ou na tristeza (e mais na segunda do que na primeira). Sem bobeiras, sem risos frouxos, sem piadas babacas, sem aturar filas intermináveis para assistir ao comediante do momento, sem as fugacidades dos confortos modernos, sem as rotinas covardes que também nos enchem de confortos, sem nada daquilo que erroneamente consideramos ser a chave para a felicidade. E que nunca é.

A felicidade é uma porta sem chaves alegres. Basta abri-la. E entrar. O difícil é achar essa porta. Mas ela está por aí. Sem falsas alegrias, claro.

Deve-se estar pronto para nunca mais ser um bobo alegre. E ser feliz mesmo assim.

— Vaner Micalopulos


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ILUSTRAÇÕES FODÁSTICAS DE THIAGO MICALOPULOS

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Assobio de sonho sujo

sonho

Vou no assobio que escuto sempre que atravesso essas aortas e essas artérias e essas veias. Numa viagem por dentro de mim mesmo, pelas vias circulatórias, um sonho que meu corpo produz sem querer, à procura das endorfinas que a vigília normalmente não dá. Numa montanha russa de pura loucura onírica, viajo dentro das minhas veias com um corpo astral de sonho sujo e assobiador. Um pedaço de um sonho sujo aí. Sibilante. Que me persegue. Não, não persegue. Está errado isso. É um sonho sujo – isso está certo – mas que simplesmente está enroscado em mim. Repetindo-se. Grande chateação. Sonho sujo que eu queria longe de mim. E que fica aí, assobiando nessa tormenta sem fim.

- Vaner Micalopulos


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atitude aí

atitude

não me peça atitude. não me peça nada. da lista de coisas que eu não quero que você me peça isso aí é (talvez) o mais importante. eu sei lá o que é atitude. eu não consigo nem imaginar o que seja isso. hoje em dia as pessoas usam pra qualquer coisa:
- está aí um cara de atitude.
- você quer o seu café com ou sem atitude?
- posso dar o troco em atitude?
meio assim. parece exagero. e é mesmo. não me digam que não é. mania que as pessoas têm de ficarem discordando por discordar. pra quê? pura atitude, eu sei. só não me peça isso. porque eu ficarei meio sem saber o que fazer. então me peça coisas que estejam dentro do meu espectro de entendimento. obrigado. valeu pela atitude.

- J.Castro


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cinzagora

cinzagora

colunas
de ferro
sustentam
o sei lá
e as horas
num indo
de relógio
corporativo
(meio todo
corpopassivo)
pendurado
em paredes
de um puro
cinzagora

- J.Castro


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exponho de volta

exponho

eu sou o anormal? é justo que eu seja o anormal da história? qual história? a história, sei lá, de nós dois. ficou com cara de música sertaneja isso aí. nossa vida parece uma música cafona. bem cafona mesmo. e pode ser em qualquer ritmo, na verdade. todos os estilos são cafonas. eu tenho mesmo essas ideias estranhas e eu falo coisas sem sentido. não é que eu não tenha sentido. ou não faça sentido. eu apenas exponho a falta de sentido. e nessa exposição eu atordoo as pessoas. é por isso que, eventualmente, todas se vão. ainda bem.

- J.Castro

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haja

haja

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