decepção

decepcao


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o há existe

haexiste

O HÁ EXISTE

você quer que eu use
a poesia (esta coitada)
para fazer coisas
que você não tem coragem
de fazer sozinha?

eu coloco essa maldita
da poesia (num limpo esplendor)
em todo lugar
mesmo com esses meus poros implosivos
que se fecham no primeiro sinal
de qualquer última ameaça.

boto verso sobre verso
e a poesia (com dor)
escuta-me de longe
num cinismo de não sentido.

então fixo os olhos no caderno
pela poesia (sou tudo, menos ingrato)
e aceito o jogo sujo
que o canto do olho
toda hora faz questão
de me lembrar
que há.

meu jogo periférico
de poesia (num brilho nevrálgico)
faz questão de me lembrar
que há.

- Vaner Micalopulos


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SUPERBUNDANDO

superboiando

SUPERBUNDANDO

Não há razão para o tormento,
não há razão para o momento,
não há razão para o acontecimento,
não há razão para as rimas
e não há razão nem mesmo para a razão.

Ela mesma.

Somos superabundantes em explicações
mas continuamos meio que bundando,
mergulhados em tolas suposições:
superboiando.

Eu sento e escrevo com certa presunção
e quero atrair alguns olhares;
outros olhos com milhões de outros motivos
para olharem outras coisas sem motivo.

Não há olhar,
não há tormento,
não há momento,
nem mesmo um motivo,
que me explique a razão
para estarmos vivos.

A gente nasce pra ir.

Bundar, olhar e rir.

Sem motivo.

- Michel Consolação


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evitando o chumbo cármico

chumbo

tá na cara que eu não vou pegar ninguém hoje por aqui. não sem, pelo menos, foder completamente com o meu carma. todos os cenários possíveis pra eu me dar bem neste lugar são estúpidos, vazios e machucariam alguém no processo. não tem como isso não acontecer: se eu me der bem, alguém eventualmente acabará se dando mal. então temos lá a menina casada que só esperou o marido reclamar do cansaço e querer ir pra casa pra conseguir convencê-lo, com extrema facilidade, de que hoje ela queria ficar pra dançar, só um pouquinho, com as bichas amigas. temos a menina gatachata que se acha um mulherão, mas que não passa duma guria gatachata mesmo e que, ainda por cima, está querendo falar de coisas estranhas. e temos também a magrela com cara de problema, que virou lésbica depois de velha e que está começando a desvirar logo agora, com a namoradinha bêbada gritando coisas como “eu sabia que você era uma lésbica poser” (não, filha: lésbica poser sou eu. sua mina só não gosta mais de você. só isso). enfim, eu fico aqui avaliando todas essas opções maravilhosas e decido que o melhor a fazer mesmo é ir pra casa. todas as alternativas são feitas do mais puro chumbo cármico. é fazer e afundar. ainda bem que eu tô sóbrio. assim fica mais fácil evitar o chumbo. fico na superfície. e vou embora.

- J.Castro


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GOTA CHATA

flux

Que saco, essa gotinha de chuva caindo no pescoço descoberto, num fluxo gelado chato, coisa chata, bem chata, eu tento não achar nada, deixar a mente pensar sem pensar, num puro fluxo, ler no fundo da consciência a frase fluxo-gelado-chato e deixar que ela, a mente, entenda sem explicar, deixar que a primeira sensação apareça, como essa que está se formando aí na sua cabeça, essa imagem, essa ideia, esse movimento que você sente quando pensa em fluxo-gelado-chato, é isso que acontece quando se fala em fluxo de pensamento, que, de certa forma, é um termo redundante, mais ou menos como falar movimento dinâmico, pois bem, estamos avisados das contradições, então esse fluxo tem que ser assim, fluídico, claro, que é o mais fundo da mesmice que a gente consegue chegar, e o próprio ato de escrever deve estar no seu estado mais natural e orgânico possível, e não se trata de uma escrita do subconsciente, eu ainda não aprendi a escrever dormindo, mas é muito mais do que isso, é uma mistura das consciências, um transe técnico, uma meditação estética, um tiro de corrida, doze quilômetros de ácidos lácticos devorando os músculos, aquele sempre iminente ataque do coração que nunca chega e que, por isso mesmo, nunca foi iminente no final das coisas, um bater incessante no teclado do computador, as ideias que se encavalam em fractais lindos de fumaça e as ridículas gotas de chuva que cismam em cair no meu pescoço descoberto, coisa irritante, um fluxo é esta entrega ao momento e a certeza de que tal entrega seja a única verdade comprovável e até mesmo realizável, nada de planos futuros ou histórias mortas, apenas um ponto no presente, um ponto largado no fluxo das ideias, respingando no meu pescoço descoberto, coisa irritante.

- Vaner Micalopulos


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JÁ VI DE UM TUDO NESSA VIDA

perneta

JÁ VI DE UM TUDO NESSA VIDA

Já vi de um tudo nessa vida,
que não é lá grandes coisas,
ao contrário, é até que bem sofrida,
amor, ódio, prazer,
tudo misturado com este sofrer
em forma de dor ferrada
e que me deixa meio sem saber
o que fazer.

Eu tento a solução da caneta
já sabendo que essa solução
é de mentira: coisa meio perneta.

Pois meu coração,
que eu às vezes esqueço onde fica,
é analfa de pai e mãe,
e não se contenta com palavrinhas enfeitadas.

Então eu repito as rimas,
metendo-as onde bem entender,
erro pronomes e regências
(quem entende de regência é maestro),
esqueço um pouco da gramática
e crio uma mentira galáctica.

Já vi de um tudo nessa vida
e só escrevo pra não esquecer
que eu ainda não vi nada.

- Michel Consolação


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NÃO SEI, DE NOVO

dormiu

MAIS UM POEMA DE NÃO SEI

ela era
a menina
que se gabava
de que podia
mudar a minha
vida

quando a mudança
foi que foi
ou pareceu que ia
ela logo
logo mudou

dormiu amando
acordou nem tanto

da noite pro dia
em horas
do mais puro
não sei

do nada
começou a ter
muito não sei
pro meu gosto

e muito
mas muito sei
fingido

então eu fingi
que não era
mais comigo

porque não era
mesmo

e saí fingindo
que sabia

- Vaner Micalopulos

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