amigolonge

amigo

todo mundo chora. será? quando a letra muda, eu me preocupo. quando o quadro muda, eu fico esperto. você é amiguinho. você entende. amigo não serve pra essas coisas? quais coisas? entender. pois bem, você é amiguinho. você tem que entender. todo mundo chora. entende? as letras mudam. entende? por que gastamos todas essas afinidades um com o outro? porque a gente é amigo. e tem que rolar um entendimento. e uma afinidade infinita. tanto daqui quanto daí. bonito isso aí: meu atestado de amizade toma-lá-dá-cá. então, meu amigo, que está longe, eu me preocupo com você. e choro por você. e entendo a distância. e entendo que, às vezes, amigo bom é amigo: longe.

- J.Castro



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cita que cita

antoniovieira

drummond2

drummond3

pessoa

pessoa1

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amar é…

pinon

trechos de I LOVE MY HUSBAND, de Nélida Piñon

“Eu amo meu marido. De manhã à noite. Mal acordo, ofereço-lhe café. Ele suspira exausto da noite sempre maldormida e começa a barbear-se. Bato-lhe à porta três vezes, antes que o café esfrie. Ele grunhe com raiva e eu vocifero com aflição. Não quero meu esforço confundido com um líquido frio que ele tragará como me traga duas vezes por semana, especialmente no sábado.
(…)
De repente, o espelho pareceu-me o símbolo de uma derrota que o homem trazia para casa e tornava-me bonita.
(…)
Ser mulher é perder-se no tempo, foi a regra de minha mãe. Quer dizer, quem mais vence o tempo que a condição feminina? O pai a aplaudia completando, o tempo não é o envelhecimento da mulher, mas sim o seu mistério jamais revelado ao mundo.
(…)
Assim fui aprendendo que a minha consciência que está a serviço da minha felicidade ao mesmo tempo está a serviço do meu marido.
(…)
Não posso reclamar. Todos os dias o marido contraria a versão do espelho. Olho-me ali e ele exige que eu me enxergue errado. Não sou em verdade as sombras, as rugas com que me vejo.
(…)
E também evita falar do meu corpo, que se alargou com os anos, já não visto os modelos de antes. (…) E quando a televisão exibe uns corpos em floração, mergulha a cara no jornal, no mundo só nós existimos.
(…)
Sou grata pelo esforço que faz em amar-me. Empenho-me em agradá-lo, ainda que sem vontade às vezes, (…). Sinto então a boca seca, seca por um cotidiano que confirma o gosto do pão comido às vésperas, e que me alimentará amanhã também. Um pão que ele e eu comemos há tantos anos sem reclamar, ungidos pelo amor, atados pela cerimônia de um casamento que nos declarou marido e mulher. Ah, sim, eu amo meu marido.”

I love my husband, de Nélida Piñon, In O Calor das Coisas. Rio, Record, 1998.

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farruscadas

procrastinar

esecrve

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quer que desenhe?

abismo

insistencialismo

completo

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dnovo

dnovo

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não transo: transe

medita

eu não transo um transe. essas coisas que os artistas têm. eu não tenho. esses sintomas todos. passaram longe de mim. eu medito. mas quem quer saber desse tipo de coisa? pensam: foda-se isso, poeta! você medita? que merda é essa? me diz quem você comeu ontem, porra! eu tento, eu juro que tento. tento umas metafísicas. mas na maioria das vezes, fico apenas no terra-terra mesmo. é esta minha manha barrenta: até quero algum tipo de realização espiritual, mas tem que ser perto da terra. esperando o apodrecer. isso me dá vantagens. e algumas coragens. mas só algumas.

- J.Castro


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ESQUEÇO AMANHÃ

olhada

AMANHÃ EU ESQUEÇO

a névoa
do mal
pairando
sujando
tentando
me fazer
não total
.
os poemas
escapam
pelos vãos
dos dedos
.
os mesmos
rostos podres
desesperados
com o cáustico
desintegrar
.
ali: a menina que mostra os seus problemas de autoestima pela maneira como enche de grampos os cabelos inseguros
.
ali: a menina com as costas lotadas de pintas lindas, como uma constelação vazia de tormenta e: calma
.
fica calma
.
ali: a do gorro de lã: está quente pro gorro de lã, filha
.
olha lá as coroas animadas que viveram altos momentos de sexo nos anos oitenta com a aids rolando solta sem que ninguém soubesse disso: roleta russa
.
essa porra toda só me faz lembrar de como sou velho
.
ali, a do gorro: pose congelada com a mãozinha enfiada na saboneteira: tá se achando
.
apesar do gorro
.
ela olha
.
a olhadinha
pra trás
que me põe
à frente
.
eu morro
mas não peço
socorro
.
sou uma lupa
deformada
.
a poesia
é o contrário
do esquecimento
.
amanhã eu escrevo
.
e esqueço o gorro

- J.Castro


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