FAZNINE #2 (PRÉ-VENDA)

Galera, estamos começando a pré-venda da segunda edição do nosso zine, o FAZNINE, dessa vez com um poema de Michel Consolação, o ARTERRORISMO. Quem nos conhece sabe que esse poema já foi lançado no site e muitas pessoas vinham com aquela reclamação agradável: “Ah, imagina isso aqui no papel”. Sim, uma reclamação agradável. Bonito. Então fizemos o seguinte: como o texto foi escrito há muito tempo, chegamos no Michel e perguntamos se ele não toparia dar uma recauchutada no poema, para que ele se transformasse numa edição definitiva desta mistura de poesia e manifesto que tanto amamos. É claro que ele topou. Na verdade, não existia a opção “não topar”. Então é isso.

Por isso anunciamos aí o pré-lançamento do novo ARTERRORISMO, com uma adição de mais ou menos 10 páginas ao poema original, num papel de texturas poéticas, capa metalizada, design caprichado e frete grátis.

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o casal

Está lá,
na mesa próxima,
o casal que não conversa.
Não os julgo.
Falar pra quê?
São antigos cúmplices,
orgulhosos do silêncio afetuoso.
Mas a espertinha da mesa ao lado,
que muito gosta de julgar,
está lá a comentar:

- Mal se falam. Que casal triste!

Acha que não faria o mesmo
numa situação similar.

Mudo o foco
e passo a prestar atenção
na conversa da juíza idiota;
clima, novela, homens, futebol, panelaço:
o bê-á-bá da imbecilidade nacional.
Troco mais uma vez o foco
e acomodo-me no silêncio confortável
do casal que se ama demais
para desperdiçar o seu amor
num fútil tagarelar.

- Michel Consolação


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solta a frase


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fico exposto

exposto

choque de adrenalina. estourando no peito. o coração batendo: naquela velocidade. caindo acelerado nas contrações dos músculos nervosos. entrando nos tecidos mais moleculares de suas carnes: expostas. fico aberto. fico nervoso. fico exposto.

eu queria mesmo que as adrenalinas tomassem conta. eu só não queria que essas fossem minhas últimas palavras.

acordar num aquário de pavorosa transparência. um aquário virado para os mundos expostos em revistas de fofocas e programas inúteis de tevê. não me mostre essas coisas.

não fale comigo sobre essas coisas.

moléculas expostas. fraturas internas. jogo a consciência pra cima. a mente sutil: exposta.

feche a revista. consciência pra cima. não me mostre essas coisas.

- J.Castro


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desisto

desisto

não exija demais da minha paciência. eu já lhe disse: sou pura desistência. não, isso não é um aviso. é um lembrete. tem diferença? pra mim tem. é um lembrete, daqueles que deveriam estar num post-it, colado aí nessa sua parede encardida. aí você acordaria com o maldito bilhete bem do seu lado e nele estaria escrito: sou (sua) desistência.

tentar de novo? está aí um conceito que me foge. desistir é mais fácil. desculpa pela apologia à desistência. às vezes é mais fácil desistir. e só. e mais nada. deixar a culpa encostada debaixo do travesseiro e simplesmente desistir.

desistir me pareceu mais fácil. acertei.

eu (sou) desisto.

- J.Castro


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não consumado

momento não consumado

Eu fico de terceira pessoa, meio de butuca nas coisas alheias, um testemunho dos momentos não consumados. O olhar não consumado. Há uma troca de olhar não consumado em cada esquina. Isso cria um problema, pois é preciso entrar nas curvas das ruas com o olho esperto, para não cair numa cruzada de olhar que não se quer olhar. As ruas já foram mais tranquilas. Uma espiada frouxa, flutuando pelas mesas da cafeteria que serve o pior café da cidade. Cá estou. Cá sou. Testemunha dos momentos não consumados.

- Vaner Micalopulos
*ilustração de Thiago Micalopulos

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“Esquizo que sou”

Trechos do “Esquizo que sou e a gênese do você”, de J.Castro, texto de estreia do FAZNINE, o nosso zine. Em breve, o segundo exemplar. Fiquem espertos.

esquizo

esquizo

esquizo

Para mais informações sobre o FAZNINE acesse este link: http://umilhao.com.br/faznine1/
Para comprar o seu exemplar, aqui: http://marre.nuvemshop.com.br/


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o idiota silencioso

o idiota

Não é homem de muita conversa. Difícil crer que, há algum tempo, já fora um rapaz falante. Agora, responde aos chamados de prosa apenas com um menear preguiçoso da cabeça. Existe falta de vontade ali. E uma certa pose errada. Em bares mete-se a transes de hiperfoco num mesmo ponto, às vezes por horas, só para evitar conversas que, para ele, são sempre desnecessárias. Há nisso tudo um pouco de exibicionismo, claro. Já comeu várias mulheres por conta disso. Elas gostam de idiotas silenciosos. Bem sabemos: em boca fechada não entra mosca. E é assim que o idiota silencioso se passa por gênio estiloso: evitando as moscas.

- Vaner Micalopulos
*ilustração de Thiago Micalopulos


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