trecho do AMOR É CRACK

amorcrack

AMOR É CRACK

(…)

TERCEIRO ATO

amor é crack
a frase é boa
e não é de araque

amor é crack
e eu quero algo
que me esburaque

um qualquer coisa
uma besteira aleatória
que me coloque
em sarjetas sem fundo
uma sarjeta qualquer
na sala de casa
no elevador do prédio
na maca do hospital
qualquer bella merda
pra tapar essas lacunas
sem cheiro
com nada
sem tudo

(nada e tudo
em lacunas
que fedem)

o sem cheiro
é o fedor
medroso
de quem
quer
sem querer

são aquelas coisas
de querer
e repetir
em covardias infantis:
“foi sem querer”
e eu vejo tudo isso
e pergunto-me
cá com os botões:
“você é burra?”
mas sei que não
porque ela é
expertinha
e taí o problema
afinal de contas
ela é experta
e isso desperta
uma burrice
em mim:
uma lânguida
e estúpida
burrice sem fim

(sem fim:
a repetição
eterna
de quem se acha
sem fim)

(…)

amor é crack
e se eu fosse
o Drummond
mestre lírico
mas que eu não via amando
se eu fosse ele
meu mestre que não sabia amar
eu diria:
“amor é conhaque”
coisas de itabiranos
talvez
que levam muito ferro
na composição
e que, talvez
sejam chegados também
nesses platonismos imbecis
e que se afogam facilmente
no primeiro gole

como sou um pombo da rua
e detesto conhaque
preciso dum crack
que me empaque
uma pedra hepática
e suja
que me ataque

empack & atack

amor é crack
e não quero mais
esta bella bosta
que me embasbaque

(…)

> trecho do AMOR É CRACK, de Vaner Micalopulos. breve, num livro perto de você.





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