ASSIM: NADA ACONTECE.

assins

Eu tenho memórias de gente bicuda. Eu tenho esses relances sem noção, ou sentido, ou direção, que não querem dizer nada, por serem insignificantes e sem profundidade nenhuma, por apenas serem. Coisa nenhuma.

Eu tenho essa impressão de que já vi de tudo e uma esperança banal de que tudo se resolva de uma vez ou se explique num relance de ideias e hormônios. Eu tenho essa esperança de que tudo se desenrole, assim, do nada.

Ó o nihil aí, poeta.

Mas isso nunca acontece. A gente espera e espera e espera. As coisas nunca se desenrolam do nada. Assim, do nada. Assim vamos. Assim. Eu não sou muito bom com assins. Eles não me entendem, assim como eu não os entendo, por isso vamos levando a vida, assim, desse jeito mesmo, e espera pra ver o que acontece. Assim. Espera. E nada acontece.

Assim: nada acontece.

Na verdade, as coisas são baixas e sem honraria nenhuma. Elas começam, às vezes, por causa de tiques linguísticos, como esse meu, que era o de começar um texto com “eu tenho”. Sem mistério. Sem nada. Tudo acaba como começa. Eu tenho. Ou tinha?

- Vaner Micalopulos





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