BALADEIA

 

BALADEIA
(escrito entre as 2:36 e 7:49 da manhã, em São Paulo; eu acho)

pulando páginas
encontro as ruínas
de um mim aí
nos vácuos de papel

:

fantasmas
dos antigos
flutuando
pelas calçadas
do amanhã

:

ruínas
de um mim
aí:
carne
& osso
& osso
+ osso

:

ando com
os versos
pelas ruas
em ruínas
de mim

:

queria
ter cara
pra perder
a vergonha
na cara

:

os prédios
destruídos
da minhalma
ocupam o céu
com um futuro
do mim aí

:

e um pouco
de nada
no meio de
tudo

:

a gente
acha que sabe
o que é bom
prozoutros

:

a visão
é um sentido
superestimado
que se acha
o super sentido
mas que engana
e que deixa também
tudo sem sentido

:

a juventude
escor
re
pelos dedos
tremeli
quentos

:

nos processos
destrutivos
tenho acesso
aos sonhos
mais criativos

:

um palito
dançante
entredentes
da absoluta
mente

:

no rádio
desligado
eu quero
que quero
ver o oco
no oco
do seu oco
safado

:

você
é oca

:

minha coragem
acaba
onde começa
a sua bobagem

:

rodando
no banquinho
do pé de porco
e investigando
as pessoas

:

falar tudo
com nada

:

o rosto
iluminado
pela luz
friacrua
da tela
do celular:
como seria
tudo
sem ela?

:

na ponta
do lápis
não dou
conta:
nessa vida
faz-de-conta
calculo
as possibilidades
e peço fiado

:

meu sonho
dissimulado
que ponho
aqui do lado
só pra fingir
que o real
é um curativo
e que eu tiro
rápido
só pra não sentir
a dor infernal:
e eu sei
como sei
que você
(sim você
aí)
não está
se oferecendo
eu sei disso
então para
de se achar
eu já percebi
que você
não está nem aí
pra mim

:

nos meus
não-poemas
eu encontro
uma falta
de construção:
nos meus
não-poemas
dissolvo-me
entre os versos
não colocados
desta minha
não-vida:
nos meus
não-poemas
faço da minha
não-vida
uma poesia
mais que
sofrida:
uma não-poesia
pra uma vida
que é toda
não

:

é que
truque
de quê
é rola

:

“pagô o padê
ganhô a amizade”

:

quero ir
pra casa
mas não
quero
sair daqui

:

sinto
as inevitáveis
sombras
tapando
as possibilidades
que eu deveria
evitar

:

é só
não encostar

:

quero sair
daqui
mas não
quero
ir pra casa

:

é só
não chegar
perto

:

quero ir

posso?
não tenho
casa

:

o caderno
não sabe
nada

:

quero ir

:

casa

- J.Castro





postado em por admin em poesia deixe um comentário

adicione comentário

www.scriptsell.netBest Premium Wordpress Theme/Best Premium Wordpress Theme/ Top