fluxo cáustico

Um certo desencantamento cáustico desce pela uretra cada vez mais apertada, em golfadas azedas, está aí uma palavra que já usei muito, golfada, e eu nem sei exatamente o que ela significa, outro questionamento que sempre aparece, não saber as coisas, desculpa, sempre achei que um fluxo de consciência tivesse que ser algo parecido com um fluxo de uretra apertada, ou simplesmente uma exibição mecânica da quantidade de merda que a minha mente é capaz de produzir, mas não é só isso, eu faço assim porque é o jeito que sempre fiz e eu não mudei muito com o passar dos anos e também não acho que as pessoas devessem ficar mudando na vida sem pensarem muito de como se está mudando e para onde e por qual razão, acho que essa coisa de liberdade dinâmica precisa ser melhor analisada, posso até estar passando a impressão contrária sobre a minha pessoa, por causa da torneira de palavras que está sempre aberta, mas na vida sou bem fixo e bem parado e bem mesma coisa, eu não gosto nem mesmo de trocar as calças, pra mim uma calça recém-lavada em contato com a pele é um sacrifício de texturas químicas um tanto impossível de pôr em palavras, o que prova minha completa inadequação como escritor, já que sou incapaz até de descrever um transtorno tão simples como esse, um transtorno tão comum, não conseguir colocar as calças, mas imaginem também como faria mal a minha imagem se eu conseguisse ser um primado em eficiência, não, ninguém quer um escritor tão eficiente assim, ninguém quer um escritor que se esqueça da vida enquanto escreve, sempre com o mesmo roupão imundo, transformando o nada em palavra, não, pois é preciso guardar um tempo para os autógrafos em livrarias assépticas, pois o lirismo está morto e as livrarias estão repletas de figurinhas higienizadas, ninguém quer o antigo lirismo de volta, com aqueles imundos líricos de antigamente que se esqueciam, em meio às palavras que explodiam em progressão geométrica na mente, de vestirem uma roupa adequada para saírem à rua quando precisavam de café.

- Vaner Micalopulos
*ilustração de Thiago Micalopulos





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cassetetes vs. skates

Os acontecimentos de hoje na Avenida Paulista me lembraram uma cena de um bom documentário. Primeiro, os acontecimentos de hoje:

Pois bem, na tal cena do documentário, um Arcebispo Ortodoxo ucraniano, diante dos recentes levantes que aconteciam no seu país, dizia: “Todos perceberam que se hoje estudantes são espancados, amanhã qualquer um pode ser”.

Breve retrospectiva para sabermos sobre o que estamos falando: em dezembro de 2013 um grupo pacífico de estudantes ucranianos foram às ruas, injuriados com o governo do presidente Viktor Yanukovych, que se recusou a assinar um acordo de associação com a União Europeia. Os estudantes foram tratados, digamos assim, com certa truculência pelas forças do governo. Em resposta às agressões policiais, o povo ucraniano levantou-se num movimento de resistência que duraria noventa e três dias. As balas de borracha, usadas nos primeiros conflitos, foram substituídas aos poucos por munição letal. Civis eram alvejados por atiradores de elite em plena luz do dia. Depois de centenas de mortos e desaparecidos, o presidente Yanukovych “abandonou o cargo” e recebeu asilo político na Rússia. Assim, começava a Crise da Crimeia. A contagem de mortos resultante dessa guerra já passa de seis mil.

A imagem aqui compartilhada foi extraída do ótimo documentário WINTER ON FIRE, que nos oferece um ângulo assustador daqueles três meses de embates furiosos: o de dentro dele. Vale a pena dar uma olhada no filme.

E sobre o que aconteceu hoje na Avenida Paulista, acho que não há muito o que dizer. As imagens já dizem tudo. Afinal, que poder maníaco é este que autoriza policiais a agredirem estudantes secundaristas por estarem apenas inconformados com o fechamento de escolas? Cassetetes contra skates. Luta justa é isso aí.

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