tá vesga





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a culpa

No café da hora. Estou numa espécie de vitrine e vejo a gente normal passando, sendo normal de um lado para o outro, de lá pra cá e vice-versa. Não me sinto o estranho que tanto gosto de escrever que sou. Não sou estranho. E também não tenho referência moral para desenhar uma régua de caracteres e depois usá-la pra ficar cagando regra nas cabeças alheias. Nem acho que ser normal é algo ruim. É simplesmente ser, não é? Então isso é bom. Mas normal eu não sou, porque não consigo simplesmente ser, e continuo aqui, nesta vitrine de exposições zoológicas, sendo o contrário de um simplesmente ser. Vejo a todos como os homens e mulheres normais que realmente são e de como, no fim, somos todos iguais, normais ou não. Pois estamos enjaulados, cativos. Manequins de vitrine. Eu sou o manequim apático que escreve na vitrine do café da hora. Grande coisa.

A culpa é minha.

- Cato Ribeiro


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sendo documento


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só sei escrever você

o negócio é assim: eu escrevo pra você, sempre. fica parecendo que é pra um arquétipo de mulher aí, mas é tudo pra você. só não se ache muito por causa disso. seja você, apenas. tome conta da minha postura quando escrevo. me peça pra relaxar o braço. me peça pra endireitar a coluna. você está longe, mas eu lhe escuto, me endireitando. meio força: meio carinho. e depois, eu ainda escrevo pra lhe tirar da minha cabeça. treco sem solução. eu só escrevo você. maldição. não é uma forma de analfabetismo isso aí? claro que é. você me analfabetiza. e tudo bem.

- J.Castro


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sossego? ainda não.


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dano colateral

cama e paz. os roxos que se acumulam nas peles molhadas são as marcas eróticas das guerras travadas em defesa do nosso amor. cama é trincheira. bate cabeça na parede, estoura pele com pele, toma tiro de travesseiro. tudo na cama é dano colateral. vamos superar essas coisas de fogo amigo. tá na cama é pra se queimar. ofereço o peito, de muito bom grado, ao tiro bem dado. então não tira o corpo fora. cai na cama. amor é guerra. cai da cama. agora volta. aqui sou ditador, captor e invasor. não me venha com trégua, por favor.

- J.Castro


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tipo golfinho


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