nunca-ninguém-nunca

seriabelo

não há cidade. há cidades. todas elas enfiadas nelas mesmas. infinitas esquinas que se cruzariam num lugar nenhum. há uma coisa bela em eternas ruas paralelas.

há uma coisa bela numa cidade onde nunca-ninguém se cruza.

seria belo um lugar assim: um repetitivo lugar nenhum. seria belo um lugar assim: onde ninguém mais se conhecesse, onde ninguém mais precisasse se cumprimentar, onde ninguém mais tivesse que estalar beijos hipócritas nos rostos de desconhecidos. seria belo um lugar assim: onde nos encontrássemos pela última vez. seria belo um lugar assim: onde eu me perdesse nas ondas magnéticas provocadas pelas forças misteriosas de sua pele sem sentido. seria belo um lugar assim: triste utopia magnética.

seria belo um lugar assim: uma cidade onde ninguém-nunca se cruzasse.

- J.Castro





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