Correndo

Vou correndo, ligado no modo de destruição. Estouro a passada, pois quero estourar todo o resto. Deixo que as dores se acomodem nos espaços aumentados das articulações enferrujadas. Deixo que o quadril baile no desencaixe nevrálgico do desgaste precoce. Deixo que os joelhos fritem nos atritos com o asfalto e nas pancadas dos saltos exagerados. Deixo que a respiração corroa o peito, injetando com fúria carbônica o mal do mundo para dentro dos pulmões. Mais destruição, menos manutenção. Por mais que doa. Sempre me perguntam, em tom de piada: você está correndo de quê? Eu olho para o piadista e respondo: de você. A pessoa ri. Eu não. E sigo correndo.

- Vaner Micalopulos





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