dá eu

me dá um tempo. me dá um resfriado. me dá o seu tempo. me dá suas esperanças na forma de mijo e pus. me dá você, mais uma vez, mas só mais uma vez. me dá um vírus aí. qualquer um. me dá. me dá você sabe o quê? o quê? me dá. me dá sangue. me dá qualquer coisa, menos você: eu disse que seria só mais uma vez. me dá dinheiro. me dá uma dor de cabeça. me dá uma veia estourada no cérebro. vai, dá. assim, no imperativo mesmo. me dá isso aí que você tá tomando. me dá um pouco de tá. vai, fala: tá. me dá um pouco dessa sua esperança torpe. não, não me dá isso: esperança é coisa de gente fresca. me dá o lixo da humanidade destilado em duas pequenas doses de ácido lisérgico estragado. me dá um pouco daquilo que você não dá pra ninguém, vai, quero ver se você tem coragem. me dá. me dá. e não me peça nada em troca: eu não dou nada. me dá um trago. me dá um tapa. me dá uma ignorada, eu tô precisando ser ignorado, eu quero mesmo que as pessoas não me deem nada, só pra eu ficar pedindo à toa. me dá aí. faz um exercício de falsa compaixão. me dá sua melhor amiga. me dá um pedaço desse seu universo idiota: eu quero saber como é ser uma idiota que nem você. me dá qualquer coisa. hoje eu tô assim: recebendo a porcaria alheia. me dá o que você não quer mais: mesmo que isso aí seja eu. me dá eu.

— J.Castro





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