um eixotorto aí

eixo

há um jeito aí de ir sem ir. você me olha com cara de quem já foi. eu finjo que fui, eu finjo que voltei, mas a verdade é que eu nem saí do lugar ainda. e aí? você tem cara de quem sabe mais do que eu. e que gosta de mostrar como foi e de como curte se enrolar nessa fantasmagoria do agora, nesse paradoxo de movimento, nessa ilusão bumerangue de ir sem ir. eu acho belo, mas não acredito em você, que ri aí, toda experiente. ainda aí. eu acho que você nem nunca saiu do lugar. na maioria das vezes são os parados que entendem mais dessas coisas de movimento. eu quero lhe dizer isso. mas você não para pra ouvir. assim fica difícil. você não precisa se mexer pra entender o movimento. basta olhar. e isso eu faço melhor parado. no fundo, lá no fundo, você sabe disso também. e é por isso que para aqui, comigo. é por isso que vem sem chegar e que volta, sem chegar, num automatismo de quem não precisa de olho pra saber como chegar ao destino e mesmo assim nunca chegar. isso eu sei fazer também. e eu nem precisei me mexer. você quer parar aqui? aí é grave. eu até deixo. mas tem que parar mesmo. eu deixo. e não me queixo. paraí. e me tira do eixo.

- J.Castro





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