ENTRELÍNEO

De um curvear barroco,
solta num rococó meio exagerado:
fico oco, fico bocó.
Não serei o poeta vazio
que criará a lira deficiente
e incapaz de controlar
os seus cheios, os seus meios:
passo mal, fico dormente.
Queria sim, confesso,
dançar na inércia
do seu movimento curvilíneo.
Mas o não da promessa
(nunca feita, sabemos)
coloca-me num tontear
de vertigem e inépcia.
Faço das linhas do caderno
um refúgio covarde
e contento-me com a linearidade
de um nunca saberemos.
Continuo sereno, reto,
entre as linhas:
entrelíneo.

- Michel Consolação





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