ESQUEÇO AMANHÃ

olhada

AMANHÃ EU ESQUEÇO

a névoa
do mal
pairando
sujando
tentando
me fazer
não total
.
os poemas
escapam
pelos vãos
dos dedos
.
os mesmos
rostos podres
desesperados
com o cáustico
desintegrar
.
ali: a menina que mostra os seus problemas de autoestima pela maneira como enche de grampos os cabelos inseguros
.
ali: a menina com as costas lotadas de pintas lindas, como uma constelação vazia de tormenta e: calma
.
fica calma
.
ali: a do gorro de lã: está quente pro gorro de lã, filha
.
olha lá as coroas animadas que viveram altos momentos de sexo nos anos oitenta com a aids rolando solta sem que ninguém soubesse disso: roleta russa
.
essa porra toda só me faz lembrar de como sou velho
.
ali, a do gorro: pose congelada com a mãozinha enfiada na saboneteira: tá se achando
.
apesar do gorro
.
ela olha
.
a olhadinha
pra trás
que me põe
à frente
.
eu morro
mas não peço
socorro
.
sou uma lupa
deformada
.
a poesia
é o contrário
do esquecimento
.
amanhã eu escrevo
.
e esqueço o gorro

- J.Castro





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