estranho

Como as pessoas são estranhas
em suas variedades múltiplas de estranhezas.
Como sou eu também estranho
nesta ostra de mesa de café
e cadernos abertos ao vento.

Como sou eu estranho
em querer ser mais estranho
do que o resto dessas pessoas.
Como sou estranho nesse julgamento.

Sou estranho, mas acabo sendo
o mais normal de todos os estranhos.
É um esforço ao contrário.
Uma preguiça hiperativa.
Uma contradição que não cola.
E como sou estranho,
aqui, formulando paradoxos
dignos de um moleque barbudo
vivendo num eterno jardim de infância.

Como sou estranho
contento-me com esta infantil capacidade
em ser estranho e nada mais.

Sou estranho porque não sei ser outra coisa
e se isso fosse uma opção, se eu pudesse escolher,
eu preferiria não ser estranho (a vida seria mais fácil),
mas não é assim que funciona,
esses detalhes não se mudam assim, do nada.

Não existe cura para a estranheza.

Pois não existe cura para o que não é doença:
não é este um mote que se repete bastante ultimamente?

Como sou estranho,
acho normal ser estranho.
É na minha estranheza
que me normalizo com o mundo.

Como sou estranho
sinto uma leve decepção ao concluir,
que sou apenas normal.
Dói-me. Gosto de ser estranho. Prefiro.

Como sou um eu estranho, prefiro ser estranho.

Estranho ser estranho.

Mas prefiro mesmo assim.


— Michel Consolação





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