fingindo escrever

não acredito. é ela. com ele. claro, isso tinha que acontecer. mais cedo. mais tarde. padaria de merda. ela está em todos os cantos dessa padaria. a nossa padaria. e agora ela vem com ele. que é bem o tipo dela e que ela me jurava que não era. que não é. coisinhas tão pequenas. ela não me viu. está com aquelas amigas, tão chatas. elas entrando, eu saindo. perfeito. é só passar na boa que ninguém me nota. e que cara ridículo. bem o tipinho dela mesmo. fôdasse. tô pagando. vai logo com o troco. vai rápido, senhorita do caixa. troco. obrigado. vou-me embora. ela me viu. saco. as amigas me viram. saco. que ridículo. o que eu faço? finjo que não é comigo (e não é mesmo, oras). saio da padaria. cabeça baixa. sinto que é preciso passar alguma coisa pela minha cabeça. nada. sinto que preciso ter um grande pensamento. nada. abro o caderno, não tenho absolutamente nada pra escrever, mas escrevo: ESCREVENDO ALGUMA COISA PARA PARECER QUE ESTOU ESCREVENDO ALGUMA COISA. fecho o caderno. agora sim. que cara ridículo.

— J.Castro





postado em por admin em prosa Comentários desativados
www.scriptsell.netBest Premium Wordpress Theme/Best Premium Wordpress Theme/ Top