miséria

seja bem vinda à miséria de ser quem eu sou. puxa uma cadeira. pega uma cerveja na geladeira. não sei se ela está gelada. eu estou. isso é ser um cara miserável. isso é ser um cara sozinho. eu sou assim: sozinho. você quer companhia? não aqui. qual o sentido em ser um cara sozinho se eu aceitasse companhias? mas eu deixo você entrar um pouco. só um pouco. veja as teias de aranha. a poeira condensada. os móveis que não mudam de lugar há anos. os livros espalhados. os quadros tortos. esta é a miséria de ser quem eu sou, minha filha. você quer realmente entrar aqui, achando assim que me fará um bem com sua companhia? melhor não. você vai querer fazer uma faxina e a bagunça é pra continuar do jeito que está. eu me encontro na bagunça. se não aparecesse ninguém pra meter o bedelho na minha zona, eu não me sentiria tão miserável. é por isso que fico sozinho: longe dos juízos do mundo mantenho-me íntegro com minha miserabilidade e, assim, um pouco menos miserável. já tomou sua cerveja mais ou menos gelada? ótimo. pode ir embora. tchau.

- J.Castro





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