moléculas ou pessoas?

num belo dia eu acordei
(era uma vez)
e cismei que entendia mais
as moléculas
do que as pessoas.

amanhã um taxista me falará:
“é muito difícil entender as pessoas”
e eu responderei:
“é impossível entender as pessoas”
e eu nem vou cobrar
bandeira dois por isso.

é mais fácil entender o ínfimo
é mais fácil penetrar no infinito
(o infinito não é grande
ele é pequeno, acreditem vocês
só que de um jeito sem fim).

eu prefiro entender o interior das moléculas
e talvez seja essa a razão
para as pessoas se afastarem de mim:
puro ciúme molecular.

não é que eu prefira:
é que é desse jeito mesmo
só isso.

um ato de conformismo quântico
que é um “só isso”
em infinitas configurações.

parece muito
mas não é.

meu atestado
de inutilidade social
é este jeito quântico
de ir levando a vida.

pois tudo me interfere.

a verdade é que qualquer observador
muda radicalmente a minha trajetória
que já é mole sem que ninguém a observe
então imaginem como é
com gente olhando:
aí eu danço engraçado.

essas distrações moleculares
(vamos chamar assim)
já me custaram várias vidas:
morri várias vezes
e ainda tenho muito mais
pra morrer nesta vida.

mas não tenho mais
tanta vida pra gastar
com tolas (e lindas)
distrações moleculares.

(as moléculas choram).

era uma vez um poeta
que fazia as moléculas chorarem
mas não entendia as pessoas.

só isso.

- Vaner Micalopulos





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