polaroide fingida

fico de olho
na parede
concentrando
a minha sede
num raio laser
de ócio furioso:
foco-pensamento
cravado no ponto
da inexistência
e continuo assim
e ficarei assim
até que a parede
se manifeste
com suas manchas
e rachaduras
e até mesmo
um desmoronar
sobre mim:
e espero
as manifestações
dessa espera
na minha pessoa
as tais verrugas
e perebas
e manchas
um desintegrar
em mim:
antecipo cânceres
e interpreto
os sinais
dos fatos
corriqueiros
e dos ratos
fofoqueiros
como os finais
das coisas
que não mais serão:
o café-oráculo
me deixa nervoso:
ponho-me de lado
numa polaroide
rasgada
de memória fingida:
a parede está lá
ainda e sempre:
algo de bom
precisa acontecer:
parede, café
digam-me
num sinal ruidoso
dos seus terremotos
tão covardes:
na cafeína sísmica:
no peito que encosto
contra a alvenaria
coberta de sofrer:
é pra quando
esse acontecer?

- J.Castro





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