preguiça da raiva

raiva

Num mergulho de pupila dilatada, refletindo, repelindo, cuspindo a tudo como um buraco negro às avessas: eu simplesmente fico. O maior alterador de consciência é a raiva. E eu vejo isso quando você me olha com esses olhos ardentes de pupilas arreganhadas. Eu sei que tem muita raiva dentro desses dois infinitos buracos de nada. E então eu vou longe, lá dentro da minha cabeça, pois a imaginação é uma coisa maravilhosa mesmo, uma coisa sem controle, ela é meio como esse seu humor aí: incontrolável. E isso faz parte do seu charme. Era o que eu achava no começo, ao menos. Agora eu não acho nada. Fico só controlando esses fetiches de sadomasoquismo que eu tenho preguiça ou medo demais para realizar. Pego-me pensando em suas mãos pequenas de escritor ocioso abraçando o meu pescoço num movimento de jiboia destemperada. E, numa associação também preguiçosa, eu penso no abraço bom que era apenas pensar nos seus destemperos, tão bonitinhos em outras eras. E agora tão chatinhos. Acho que tudo se resume a uma espécie quase fofa de preguiça. E eu estou com preguiça de aturar os seus acessos de raiva. Assim eu fico inacessível. Sua raiva faz brotar uma preguiça em mim. Você já foi mais bonitinho. Ou eu que já tive menos preguiça? Dilemas. Sua raiva me dá preguiça. Isso é certo. E você já foi mais bonitinho.

(v.c.k.)





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