repete aí

você me diz o quão repetitivo eu sou. acho graça. como seria possível alguma coisa no universo sem a repetição? você acha que a vida só existe por quê? repetição. o resto é fluido. água, suor, lágrima, sangue: os sumos do corpo. e os erros que tanto insistimos em repetir e que ainda repetiremos infinitas vezes? os movimentos dos seus olhos loucos, tantas vezes repetidos à frente do espelho: como seriam eles também possíveis sem essa repetição mecânica? é na repetição mecânica que se chega à perfeição orgânica. isso eu aprendi com você. e as músicas que repetimos estupidamente? e os poemas repetidos? minha poesia precisa desse modo de repetição para se instalar nos mármores únicos de suas espáduas sem fim. e como parar de repetir esse deslizamento do eu nesses vales fundos do seu colo único? você repete: eu não lhe repetirei. eu sei que é mentira. eu repito o meu escárnio. você vai embora, toda brava. amanhã a gente se repete.

- J.Castro





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