a culpa

No café da hora. Estou numa espécie de vitrine e vejo a gente normal passando, sendo normal de um lado para o outro, de lá pra cá e vice-versa. Não me sinto o estranho que tanto gosto de escrever que sou. Não sou estranho. E também não tenho referência moral para desenhar uma régua de caracteres e depois usá-la pra ficar cagando regra nas cabeças alheias. Nem acho que ser normal é algo ruim. É simplesmente ser, não é? Então isso é bom. Mas normal eu não sou, porque não consigo simplesmente ser, e continuo aqui, nesta vitrine de exposições zoológicas, sendo o contrário de um simplesmente ser. Vejo a todos como os homens e mulheres normais que realmente são e de como, no fim, somos todos iguais, normais ou não. Pois estamos enjaulados, cativos. Manequins de vitrine. Eu sou o manequim apático que escreve na vitrine do café da hora. Grande coisa.

A culpa é minha.

- Cato Ribeiro




postado em por admin em prosa deixe um comentário

fase ruim

FASE RUIM (PARTITA #31 AGITATO CON AFFETTO)

Você é minha fase ruim.

Não. Você não me conheceu numa fase ruim.

Você é a fase ruim.

Você é o tipo de pessoa que faz as coisas desandarem, que provoca a fúria das coisas. Você é o tipo de pessoa que descoisifica qualquer coisa. Alguém assim não pode ser coisa boa.

Você é minha fase ruim.

A respiração compassada soltando jatos de feromônios safados, provocando um transe erotomaníaco, loucuras que rodeiam nossas cabeças entre os intervalos dos gozos arrancados com facilidade tântrica, os gemidos mortos no travesseiro, os olhares embaçados, o desfoque do amor colado, aquele campo de consciência reduzido ao espaço não existente entre os_rostos_grudados_na_cola_feromônica dos tesões perdidos entre os lençóis.

A vida sai de foco e então você percebe que foto bonita mesmo é aquela borriscada, porque tudo nessa vida é riscado, ou desfocado, ou manchado, ou cheio de ruído. Não existe informação pura. Não existem mensagens perfeitas, sem ruídos e interferências.

O amor não é mensagem. É ruído puro.

- Cato Ribeiro

postado em por admin em prosa deixe um comentário

Apocalipse, pode vir.

apocalipse

“The horror! The horror!”
– Joseph Conrad

O horror. O horror. Em todo lugar: o horror. Nada mais explica. Nada mais resolve. Nada mais: fico menos.

Quantas (e quais) palavras são necessárias para explicar a pletora gosmenta de imagens datenescas (vejo Dante em Datena) que se desenrolam, quadro a quadro, como um grão em grão que nunca enche o papo de nossas insatisfações midiáticas? Conhecemo-nos nessa falta de misericórdia, nessa cegueira ao defender as ideias que nunca nos defendem, atirando em cabeças que imploram pelas vidas de seus baixos troncos? Conhecemo-nos nessa selvageria de ideologias sanguinárias, de caras covardes e protegidas pelas máscaras arquetípicas de um terror que nunca sai de moda?

Reconhecemo-nos como terroristas?

Não me perguntem o que acho sobre as atualidades. Eu falo sobre uma aqui e outra lá, meio por cima. É inevitável. Apesar da vergonha em sê-lo, ainda sou humano. Certas coisas me tocam. Mas dificilmente me pronuncio. A razão pra isso é que eu levo tudo para o lado de uma louca teoria da conspiração. Então não me obriguem a revelar aqui os meus sistemas, que são deturpados e ingênuos, eu sei, mas que são também belos como o brilho no olho de uma criança ao ter certeza de que tem certeza de algo.

De tudo que pode ser dito sobre os horrores do mundo, a única coisa que realmente diz alguma coisa é: apocalipse, pode vir.

Ou simplesmente: o horror, o horror.

- Cato Ribeiro

postado em por admin em prosa deixe um comentário

sendo lâmina

epicentro

postado em por admin em prosa deixe um comentário

queria ser Leonardo

leo

postado em por admin em prosa deixe um comentário

epicentro

epicentro

postado em por admin em prosa deixe um comentário
www.scriptsell.netBest Premium Wordpress Theme/Best Premium Wordpress Theme/ Top