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Orides basta

Dizia-se de Orides Fontela que era azeda, antissocial. Morreu num sanatório, quase indigente. Não seria exagero afirmar que Orides foi uma das maiores poetas que o Brasil já viu. Teve prêmio Jabuti e tudo mais. Célebre, porém esquecida. Grandes críticos e intelectuais chamariam a atenção para a sua existência reclusa. Poucos prestaram atenção.

Sua poesia é de uma intensidade mínima, silenciosa, se concordarmos que um poema é uma composição harmoniosa de silêncios e palavras, como já bem dizia o Pignatari, saudoso também, ranzinza também. A própria Orides interromperia agora minha tentativa de criar mais um clichê sobre sua poesia, dizendo:

…quero deixar claro que, em todos os meus livros, o nada jamais me interessou, e como poderia interessar a quem quer que seja? O problema sempre foi o ser, a forma, a palavra. O silêncio só entra devido ao impasse inevitável.1

Toda definição é uma falta. E descrever poesia seria, para mim, como um escrever ao contrário. Todo o esforço que o poeta teve para condensar a realidade naquelas palavras, naqueles silêncios, fica completamente inútil ante o esforço, louvável, de quem tenta descrever o poema. Apesar disso, há uma boa definição da poesia de Orides Fontela no prefácio de seu último livro, o Teia, escrita pela Marilena Chauí:

Donde o que essa poesia não é: não é metafísica – como querem alguns. Não é feminismo – como imaginam outros. Não é filosofia nem tomada de partido. É palavra pensante e pensamento falante. É poesia. Não basta?2

Claro que basta. Abaixo, oito poemas do Teia, último livro de Orides Fontela, editado pela Geração Editorial. Basta.

teia

teia1

teia2

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