fluxo cáustico

Um certo desencantamento cáustico desce pela uretra cada vez mais apertada, em golfadas azedas, está aí uma palavra que já usei muito, golfada, e eu nem sei exatamente o que ela significa, outro questionamento que sempre aparece, não saber as coisas, desculpa, sempre achei que um fluxo de consciência tivesse que ser algo parecido com um fluxo de uretra apertada, ou simplesmente uma exibição mecânica da quantidade de merda que a minha mente é capaz de produzir, mas não é só isso, eu faço assim porque é o jeito que sempre fiz e eu não mudei muito com o passar dos anos e também não acho que as pessoas devessem ficar mudando na vida sem pensarem muito de como se está mudando e para onde e por qual razão, acho que essa coisa de liberdade dinâmica precisa ser melhor analisada, posso até estar passando a impressão contrária sobre a minha pessoa, por causa da torneira de palavras que está sempre aberta, mas na vida sou bem fixo e bem parado e bem mesma coisa, eu não gosto nem mesmo de trocar as calças, pra mim uma calça recém-lavada em contato com a pele é um sacrifício de texturas químicas um tanto impossível de pôr em palavras, o que prova minha completa inadequação como escritor, já que sou incapaz até de descrever um transtorno tão simples como esse, um transtorno tão comum, não conseguir colocar as calças, mas imaginem também como faria mal a minha imagem se eu conseguisse ser um primado em eficiência, não, ninguém quer um escritor tão eficiente assim, ninguém quer um escritor que se esqueça da vida enquanto escreve, sempre com o mesmo roupão imundo, transformando o nada em palavra, não, pois é preciso guardar um tempo para os autógrafos em livrarias assépticas, pois o lirismo está morto e as livrarias estão repletas de figurinhas higienizadas, ninguém quer o antigo lirismo de volta, com aqueles imundos líricos de antigamente que se esqueciam, em meio às palavras que explodiam em progressão geométrica na mente, de vestirem uma roupa adequada para saírem à rua quando precisavam de café.

- Vaner Micalopulos
*ilustração de Thiago Micalopulos




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devagar

vagar

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reclamou, gamei

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saída interna

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não consumado

momento não consumado

Eu fico de terceira pessoa, meio de butuca nas coisas alheias, um testemunho dos momentos não consumados. O olhar não consumado. Há uma troca de olhar não consumado em cada esquina. Isso cria um problema, pois é preciso entrar nas curvas das ruas com o olho esperto, para não cair numa cruzada de olhar que não se quer olhar. As ruas já foram mais tranquilas. Uma espiada frouxa, flutuando pelas mesas da cafeteria que serve o pior café da cidade. Cá estou. Cá sou. Testemunha dos momentos não consumados.

- Vaner Micalopulos
*ilustração de Thiago Micalopulos

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dia mundial da fotografia

foco

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já me ferro com uma

dupla

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quer que desenhe?

tudonada

vazio

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