ficares

FICARES

fui ficar
com alguém
mas lembrei:
não tenho mais
idade
pra isso

fiquei
à vontade
pra ficar
na vontade

faltou vontade

fiquei arrasado
arrepiado, babando
caído, de quatro
de cara, por fora

não podemos
ficar-ficando
onde queremos

não temos
toda essa
liberdade
que achamos
ter

se for
para o bem
do povo
(cê sabe)
eu fico

foi ficando
na pior
que aprendi
a ficar
na minha

fiquei mal na fita
fiquei em casa
fiquei feito bobo
fiquei pra trás
fiquei plantado

fiquei nesse mato
sem cachorro
(prefiro gato)

fiquei mal
fiquei bem
fiquei na mão
fiquei por aí

não fiquei
com ninguém

feliz
fiquei

- J.Castro




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o gênio da folia

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amores e dores

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paulistranhamente

são paulo suave
pena que cresce

poesia de
poste
não dá

quer goste você
ou não
mas de poste
não dá pra fazer

postes

luzes vintage
cortando quadros randômicos
em barbarismos de línguas
que nunca viveram
e que nunca morrerão:
lógicas de luz
só sendo de luz
pra entender

a cidade estourada
e sóis cremosos
pairando sobre poças
e bossas

 

o asfalto dorme
lá fora
não aqui

alcatrão hipnagógico

o dinheiro barato
nas rodas duma
wall street tupiniquim

bolsas falsificadas
em galerias pajés
tomadas e bloqueadas
em vão

bolsas axiológicas

 

n’augusta da vida
pessoas ecléticas
no eclético’s

na porta, concreto

a augusta baixa
do lado de cá
sob a força
duma grave gravidade

a elite, pseudoleve
prefere o lado de lá

bares cheios
almas vazias

“mesa? só lá dentro.”

mesa fora

 


almas penadas
sobrevoam a praça roosevelt
aterrada

o cheiro do mijo
esconde catarses
agora soterradas
sob a merda
dos sátiros

 

– poema de J.Castro
– fotos de Vaner Micalopulos

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louco é pouco

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bocejo bonito

seu bocejo
bonito
de boca
tímida
e ânimo
escondido:
eu prevejo
um tédio
prematuro
no forçado
sorriso:
na consulta
constante
ao relógio
apressado
eu vejo
um não jeito:
num trovejo
de esperteza
você percebe
minha falta
de molejo
e me tasca
um beijo
na bochecha:
fico besta
com tamanha
inocência:
eu desejo
a sua falta
de desejo

- J.Castro

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caralinda

não me olha com essa cara. você sabe que cara linda não funciona comigo. não adianta. você pode ser linda o quanto for que eu não vou arredar pé. eu tô certo nessa merda. não vem com perfeição pra cima de mim. pra cima de mim, filha? vai ser maravilhosa desse jeito lá na sua casa. não vem aqui, a essa hora da manhã, com esse seu brilho de deusa, achando que vai conseguir arrumar tudo. e não tem nada pra arrumar, então relaxa. foi só uma lambança de nada. não precisa vir flutuando pro meu lado, com esse cheiro de gente fresca, sai daqui, por que você não me deixa em paz no meu mausoléu? precisa vir até aqui, jogar essa plenitude na minha cara? coisa linda. acho que vou deixar você entrar. mas só um pouquinho.

- J.Castro

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miséria

seja bem vinda à miséria de ser quem eu sou. puxa uma cadeira. pega uma cerveja na geladeira. não sei se ela está gelada. eu estou. isso é ser um cara miserável. isso é ser um cara sozinho. eu sou assim: sozinho. você quer companhia? não aqui. qual o sentido em ser um cara sozinho se eu aceitasse companhias? mas eu deixo você entrar um pouco. só um pouco. veja as teias de aranha. a poeira condensada. os móveis que não mudam de lugar há anos. os livros espalhados. os quadros tortos. esta é a miséria de ser quem eu sou, minha filha. você quer realmente entrar aqui, achando assim que me fará um bem com sua companhia? melhor não. você vai querer fazer uma faxina e a bagunça é pra continuar do jeito que está. eu me encontro na bagunça. se não aparecesse ninguém pra meter o bedelho na minha zona, eu não me sentiria tão miserável. é por isso que fico sozinho: longe dos juízos do mundo mantenho-me íntegro com minha miserabilidade e, assim, um pouco menos miserável. já tomou sua cerveja mais ou menos gelada? ótimo. pode ir embora. tchau.

- J.Castro

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