bardos

morte. não morte. eu era um cara sem fé: aí eu vi a ponta do meu pé: entrando no crematório. depois daquilo, eu acabei aqui, torcendo por eternidades. eu visto a camisa. sou um buda anacoreta. trilho o caminho do pra sempre. não acredito em renascimentos, pois eu tenho certeza que renascimentos existem. e lembro da minha última vida: eu era um enorme babaca. quero fazer tudo direito desta vez. juro que quero. a morte está aí. fungando no cangote. deve-se estar preparado. para garantir boas direções na confusão kármica dos estágios intermediários do vida-morte-vida. os tibetanos chamam esses estágios de bardo. acho essa palavra do caralho. com o perdão da profanação. não misturemos budismos com caralhos. o dharma pede calma. não sei o que é sentir calma há muito tempo. budista de shopping que sou. transformar preguiça em músculos. não serei um babaca nesta vida. apesar de, talvez, já ser meio tarde pra isso. nunca é tarde. só a morte interrompe o processo. é preciso se equilibrar entre as interrupções. necessárias. inadiáveis. manter os olhos abertos. e morrer. mais uma vez.

- J.Castro




postado em por admin em prosa Comentários desativados
www.scriptsell.netBest Premium Wordpress Theme/Best Premium Wordpress Theme/ Top