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louco é pouco

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leitura reta

a leitura reta do poema
desmerece as curvas
que estão aí
para serem apreciadas.

a palavra-meandro
vai pelo rio da linguagem
criando tangentes sinuosas
e desvios de espirais magníficas.

a leitura reta do poema
dá coragem à preguiça do pensamento
e já não enxergo facilidades
e nem uma provável reviravolta
e nem mais nada.

a leitura reta do poema diz:
desencana da volta.

- Vaner Micalopulos

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bocejo bonito

seu bocejo
bonito
de boca
tímida
e ânimo
escondido:
eu prevejo
um tédio
prematuro
no forçado
sorriso:
na consulta
constante
ao relógio
apressado
eu vejo
um não jeito:
num trovejo
de esperteza
você percebe
minha falta
de molejo
e me tasca
um beijo
na bochecha:
fico besta
com tamanha
inocência:
eu desejo
a sua falta
de desejo

- J.Castro

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2 poemas de Luna Garrido

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Direção funcional

Eu me direciono
para um lado só
e é assim
que eu funciono.

Prendo o olhar
num só pico-fixo
e sinto que todo mundo acha
que estou a me mostrar.

Vocês podem chamar isso de pose,
pois fico sempre olhando
para um mesmo lugar:
é esta a minha maneira
de ficar em todos os lugares
ao mesmo tempo.

É um acordo que eu tenho com a natureza.

Gosto de achar que essa bobagem é real,
mas sei que isso é apenas uma patarata que crio
para me achar melhor do que realmente sou.

Eu me direciono
para todos os lugares
e é assim
que eu (às vezes)
funciono.

- Michel Consolação

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moléculas ou pessoas?

num belo dia eu acordei
(era uma vez)
e cismei que entendia mais
as moléculas
do que as pessoas.

amanhã um taxista me falará:
“é muito difícil entender as pessoas”
e eu responderei:
“é impossível entender as pessoas”
e eu nem vou cobrar
bandeira dois por isso.

é mais fácil entender o ínfimo
é mais fácil penetrar no infinito
(o infinito não é grande
ele é pequeno, acreditem vocês
só que de um jeito sem fim).

eu prefiro entender o interior das moléculas
e talvez seja essa a razão
para as pessoas se afastarem de mim:
puro ciúme molecular.

não é que eu prefira:
é que é desse jeito mesmo
só isso.

um ato de conformismo quântico
que é um “só isso”
em infinitas configurações.

parece muito
mas não é.

meu atestado
de inutilidade social
é este jeito quântico
de ir levando a vida.

pois tudo me interfere.

a verdade é que qualquer observador
muda radicalmente a minha trajetória
que já é mole sem que ninguém a observe
então imaginem como é
com gente olhando:
aí eu danço engraçado.

essas distrações moleculares
(vamos chamar assim)
já me custaram várias vidas:
morri várias vezes
e ainda tenho muito mais
pra morrer nesta vida.

mas não tenho mais
tanta vida pra gastar
com tolas (e lindas)
distrações moleculares.

(as moléculas choram).

era uma vez um poeta
que fazia as moléculas chorarem
mas não entendia as pessoas.

só isso.

- Vaner Micalopulos

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elogio da procrastinação

não fui ontem
mas hoje eu vou
prometo:
e só vou hoje
pra não ter que ir
amanhã.

porque amanhã
eu vou ter preguiça.

e eu procrastino tudo
até a preguiça
que eu preferiria ter hoje
do que amanhã.

a minha preguiça.

preguiça adiada
é preguiça perdida.

cancelo tudo hoje
só pra não ter
que cancelar amanhã.

adio-me agora
antes que me adiem
depois da hora.

adianto essa protelação
tão boba
tão inútil
tão anteontem
tão sem solução.

quando me falam
que não adianta
adiar as coisas
eu adianto um riso
e adio a argumentação:
tamanha ingenuidade
aquece-me o coração.

não vou hoje
só para não ter
que não ir
amanhã.

- Vaner Micalopulos

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