mosaico

a noite se vai
neste mosaico
de espelhinhos quebrados
bem diante de mim
no balcão do bar amigo.

a mente mantém-se
nas frestas desses azulejinhos
que me refletem dum jeito quebrado
assim como eles.

é por um instante, apenas.

tudo é apenas
por um instante, apenas.

olho para as frestas:
a mente se foi.

é sempre assim:
a mente
também é mente
por um instante
apenas.


— Vaner Micalopulos




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estranho

Como as pessoas são estranhas
em suas variedades múltiplas de estranhezas.
Como sou eu também estranho
nesta ostra de mesa de café
e cadernos abertos ao vento.

Como sou eu estranho
em querer ser mais estranho
do que o resto dessas pessoas.
Como sou estranho nesse julgamento.

Sou estranho, mas acabo sendo
o mais normal de todos os estranhos.
É um esforço ao contrário.
Uma preguiça hiperativa.
Uma contradição que não cola.
E como sou estranho,
aqui, formulando paradoxos
dignos de um moleque barbudo
vivendo num eterno jardim de infância.

Como sou estranho
contento-me com esta infantil capacidade
em ser estranho e nada mais.

Sou estranho porque não sei ser outra coisa
e se isso fosse uma opção, se eu pudesse escolher,
eu preferiria não ser estranho (a vida seria mais fácil),
mas não é assim que funciona,
esses detalhes não se mudam assim, do nada.

Não existe cura para a estranheza.

Pois não existe cura para o que não é doença:
não é este um mote que se repete bastante ultimamente?

Como sou estranho,
acho normal ser estranho.
É na minha estranheza
que me normalizo com o mundo.

Como sou estranho
sinto uma leve decepção ao concluir,
que sou apenas normal.
Dói-me. Gosto de ser estranho. Prefiro.

Como sou um eu estranho, prefiro ser estranho.

Estranho ser estranho.

Mas prefiro mesmo assim.


— Michel Consolação

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pagonada

pago caro
pelos atos
que compro
mas não pago
com a mesma
moeda:
pago com juros
se necessário
mas nunca
em espécie:
não pago mico
nem o pato
e nem bicho
nenhum:
tô pagando
pelos pecados
ainda
que são caros
e não pago
pra ver:
pago a língua
e muito:
não pago pau
pois não sou
fresco:
pago as custas
o mal pelo bem
pago pra você
e pra mais ninguém:
ok?

- J.Castro

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Renato Russo: azedoce

Trechos de algumas entrevistas de Renato Russo. Nelas, com aquele característico tom azedinho doce, Renato fala sobre amor romântico, amizade, a proliferação do fascismo na sociedade brasileira (muito atual), a falta de entendimento da crítica e outras coisas mais, com aquela impaciência gostosa que tanto nos cativava (e cativa, eternamente). No final do post, o link para as entrevistas na íntegra.

1) O que é Legião Urbana?

2) A (doce) paranoia de Renato Russo.

3) A crítica e o (não) entendimento.

4) “Estão fazendo com que o Brasil se transforme num país de assassinos”.

5) Nazista em tudo que é canto.

6) “Hoje em dia eu não acredito em amor romântico, não”.

As entrevistas inteiras, aqui: https://youtu.be/6oPc7jsxBAE

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utopia

meus métodos
são todos eletromagnéticos
e reverberam no ar
(neste ar que a gente tem tanta certeza
que está pendurado nele mesmo)
prum todo lado
que é lugar nenhum.

minha poesia
(que nem é minha coisa nenhuma)
vive de ficar pendurada nesse lugar nenhum
que a gente chama de ar.

sou todo ar.

e lugar nenhum.

- Vaner Micalopulos

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(suspiro)

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fracasso

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5 poemas do farrusco

lhedar

marcou

naoretorno

some

suruba

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