SENDO LINDA

linda

e aí, coisa linda? tudo bem eu chegar assim, com o linda na ponta da língua? ainda é legal chegar em perfeitas desconhecidas chamando-as de lindas? ah, nunca foi? eu não sou um interceptador de desconhecidas, calma. mas eu quero lhe conhecer. tem alguma coisa de errado nisso? este peito aberto? é que estamos numas épocas tão chatinhas, não? tá tudo proibido. tudo é gafe hoje em dia. assim não dá. e você aí, sendo linda desse jeito. e ainda desconhecida. vamos mudar isso aí?

- J.Castro




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defeito cheio de efeito

pior

eu chego perto dessa sua imperfeição aí. porque eu quero que ela seja minha também. eu chego perto, pois se for esse o jeito pra conseguir tê-la, a tal imperfeição, então que seja assim. eu não tenho medo dos defeitos. são os efeitos que me preocupam. eu quero passar bem perto dos seus desequilíbrios mais escondidos. quero que todos eles façam parte de mim. eu aceito o seu pior, pois quero o meu melhor. simples assim.

- J.Castro

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EI. VOCÊ AÍ.

lesbic

ei. você aí. é verdade que você é lésbica? desculpa, é que não parece. eu sei, muito babaca da minha parte. afinal, o que é parecer alguma coisa? desculpa. é que eu fiquei meio querendo, enfim, conversar com você. e parece que o fato de você gostar de meninas está criando alguma barreira entre nós. desculpa, de novo. eu vou falar desculpa umas tantas vezes hoje. desculpa, mas você não parece, sabe, desculpa, não sei se consigo me expressar bem, desculpa. sim, eu sei, mulher odeia homem que se desmonta em desculpas. lésbica então nem se fala, né? desculpa, muito cedo para piadinhas sobre sexualidades e tals. desculpa, né? tá vendo, eu sou bem uma moça às vezes. quer dizer, de repente você pode me ver com outros olhos. mas eu já aviso que não depilo o corpo. e nem me peça isso. eu sou uma moça, mas nem tanto. uma moça peluda. eu aposto que você não raspa o sovaco. muito estereotipado da minha parte achar um troço desses? pode ser, mas esse seria um estereótipo que cairia bem em você. desculpa, está muito cedo também para falar sobre sovacos. está meio cedo pra tudo, convenhamos. é por isso que eu quero entardecer com você. até anoitecer, de repente. quem sabe? eu prometo que falarei menos. você já viu que eu sou uma metralhadora de palavras. não sei de onde vem isso. acho que é nervosismo. tão frágil, né? sexo frágil. está aí um estereótipo daqueles. sexo frágil me lembra caixa de mudança, sabe? todas as caixas de uma mudança são frágeis, não? você já percebeu? até a lista telefônica é frágil numa mudança. é por isso que eu sou tão, digamos, frágil: é que eu sempre estou de mudança. eu já falei que sou escritor? é, eu sou. e não tô querendo me mostrar, tanto que você nem sabe quem eu sou, então está óbvio que eu sou um escritor meia-pataca. você faz o quê? não, não responde, vamos parar com essas andanças lógicas. com essas introduções todas. que coisa horrível. manjada. e eu já comecei tão mal, com esse papo de lésbica. você tem certeza que é lésbica? aposto que já pegou uns caras. ou namorou um cara que lhe causou uns traumas aí nessa sua cabecinha perturbada. olha o estereótipo de novo, desculpa. mas você, hem? afe. e agora você está indo embora. eu fiquei sabendo que você estava indo embora porque nós temos amigos em comum. eles me falaram. eu já fiquei a noite toda meio sem saber o que fazer com você zanzando de um lado pro outro por aí. chove. não molha. sabe? e os amigos, bons pra nenhuma hora, já me alertando: “ela é lésbica, desencana. e, além disso, tá indo embora”. é mesmo? é lésbica e ainda por cima está indo embora? aí eu fui. quer dizer: vim. e você vai embora mesmo, né? tudo bem. você deve ter uma namorada que está vindo lhe pegar, é isso? ou esperando em casa. eu sei, desculpa. acho que esta será a última vez que eu pedirei desculpas esta noite. você estava indo embora. aí eu não soube mais o que fazer. tchau. prazer. eu nem falei o meu nome. merda.

- J.Castro

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NÃO ERA PRA SER

era

não era pra ser. está aí um paradoxo daqueles. e que a gente joga no meio de qualquer discussão. é um argumento que destrói. pois não significa nada. não era pra ser, então nunca foi, nunca será e não passou de uma possibilidade. como não foi, agora não é nada, mas é um nada que sempre foi um não era pra ser. e já que não era pra ser, ele acha que pode ficar aí zanzando na forma desse nunca realizado era pra ser. era. não era. repito os mesmos erros num frenesi de catuaba selvagem. e fico perdido nos infinitos espaços entre o era e o não era. não sou o primeiro a dizer isto: a visão do tudo me assombra. então eu prefiro deixar pra lá e lembrar, docemente, que simplesmente não era pra ser.

- J.Castro

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PULE OS IDIOTAS

bar

por que essa distância entre nós? este espaço cheio de idiotas que nos separa, o que é isso? por que as deusas mais perfeitas sempre nos aparecem nos lugares medíocres? e lotados? eu sinto que pode ser você. e eu tenho tanta quase certeza disso que eu vou me concentrar pra que você se materialize aqui do meu lado. não que eu seja grandes coisas. não que eu tenha poderes. não sou. não tenho. mas você tem. e é por isso que você vai fazer isso por mim. vem logo. pule os idiotas. tô te esperando no bar.

- J.Castro

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