fotocracia, o texto

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FOTOCRACIA

Nas temperaturas das sombras. Como um portal que se abre, janela depois de janela, em infinitas aberturas que comportam seres já habituados à escuridão. Esquecidos. Já não lembram mais da luz da cidade. E não percebem a verdade, ali iluminada: a luz vê a cidade.

O concreto desenha formas de natureza, numa inversão que nos faz pensar. A luz refrate e reflete e bloqueia suas escuridões primordiais na cortina de pó humano. Toda luz tem um ímpeto inicial em manter-se na treva. A vontade de existir quebra esta preguiça original. Não é muito diferente com as mulheres e os homens da cidade, vivendo submersos numa bruma de plástico que se espalha por todas as direções.

As luzes da cidade ficam mais intensas nas dobras das sombras que se formam nos recortes da arquitetura às vezes tão triste. Tão dura consigo mesma. A luz, na tentativa de suavizar a tudo, apenas aumenta o contraste, aumenta as diferenças, e põe tudo a perder. Ou quase.

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Os sinais luminosos avisam. Orientam. Controlam. Numa sociedade de controle a luz fica como uma prisioneira, tendo hora para existir, tendo hora para se extinguir. Como a humanidade. Meio com hora pra tudo.

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