o há existe

haexiste

O HÁ EXISTE

você quer que eu use
a poesia (esta coitada)
para fazer coisas
que você não tem coragem
de fazer sozinha?

eu coloco essa maldita
da poesia (num limpo esplendor)
em todo lugar
mesmo com esses meus poros implosivos
que se fecham no primeiro sinal
de qualquer última ameaça.

boto verso sobre verso
e a poesia (com dor)
escuta-me de longe
num cinismo de não sentido.

então fixo os olhos no caderno
pela poesia (sou tudo, menos ingrato)
e aceito o jogo sujo
que o canto do olho
toda hora faz questão
de me lembrar
que há.

meu jogo periférico
de poesia (num brilho nevrálgico)
faz questão de me lembrar
que há.

- Vaner Micalopulos




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GOTA CHATA

flux

Que saco, essa gotinha de chuva caindo no pescoço descoberto, num fluxo gelado chato, coisa chata, bem chata, eu tento não achar nada, deixar a mente pensar sem pensar, num puro fluxo, ler no fundo da consciência a frase fluxo-gelado-chato e deixar que ela, a mente, entenda sem explicar, deixar que a primeira sensação apareça, como essa que está se formando aí na sua cabeça, essa imagem, essa ideia, esse movimento que você sente quando pensa em fluxo-gelado-chato, é isso que acontece quando se fala em fluxo de pensamento, que, de certa forma, é um termo redundante, mais ou menos como falar movimento dinâmico, pois bem, estamos avisados das contradições, então esse fluxo tem que ser assim, fluídico, claro, que é o mais fundo da mesmice que a gente consegue chegar, e o próprio ato de escrever deve estar no seu estado mais natural e orgânico possível, e não se trata de uma escrita do subconsciente, eu ainda não aprendi a escrever dormindo, mas é muito mais do que isso, é uma mistura das consciências, um transe técnico, uma meditação estética, um tiro de corrida, doze quilômetros de ácidos lácticos devorando os músculos, aquele sempre iminente ataque do coração que nunca chega e que, por isso mesmo, nunca foi iminente no final das coisas, um bater incessante no teclado do computador, as ideias que se encavalam em fractais lindos de fumaça e as ridículas gotas de chuva que cismam em cair no meu pescoço descoberto, coisa irritante, um fluxo é esta entrega ao momento e a certeza de que tal entrega seja a única verdade comprovável e até mesmo realizável, nada de planos futuros ou histórias mortas, apenas um ponto no presente, um ponto largado no fluxo das ideias, respingando no meu pescoço descoberto, coisa irritante.

- Vaner Micalopulos

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NÃO SEI, DE NOVO

dormiu

MAIS UM POEMA DE NÃO SEI

ela era
a menina
que se gabava
de que podia
mudar a minha
vida

quando a mudança
foi que foi
ou pareceu que ia
ela logo
logo mudou

dormiu amando
acordou nem tanto

da noite pro dia
em horas
do mais puro
não sei

do nada
começou a ter
muito não sei
pro meu gosto

e muito
mas muito sei
fingido

então eu fingi
que não era
mais comigo

porque não era
mesmo

e saí fingindo
que sabia

- Vaner Micalopulos

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ESTÁ TUDO CALMO NO UNIVERSO

caospuro

ESTÁ TUDO CALMO NO UNIVERSO

caminho atropeladamente
mas tudo está calmo
no universo

tropeço nas pessoas
que tropeçam em mim
pulo buracos
desço escadas
tudo meio desajeitado
mas fora isso
parece que está tudo

tranquilo

no universo e sei que isso
é uma ilusão
a partir do momento que

paro

pra pensar no assunto
e (repito) sei que é tudo
ilusão de calmaria
pra gente não se dar conta
do turbilhonamento incessante
que é toda esta nossa realidade
de planetinha frágil e bobo
pendurado num nada que é

caos puro

pendurado numa enorme massa
de matéria negra
gases
luzes
todas essas coisas que eu
não entendo
porque estão muito

longe

de mim
mas eu finjo que entendo
porque leio revistas legais
e vejo programas legais na televisão
que me passam uma segurança
e penso que se essas certezas
estão em todo lugar
é porque a gente sabe

realmente

o que está acontecendo
no universo
e fica tudo bem
mesmo assim

bem

- Vaner Micalopulos

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FOTOCRACIA (PHOTOCRACY)

photocracy

Um poema audiovisual de Tulio Ferreira sobre a luz de São Paulo. Texto de Vaner Micalopulos.

Photocracy from Tulio Ferreira on Vimeo.

*Aperte o CC para carregar a legenda.

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DIFÍCIL

dificil

Penso nela. E quando penso, não é um ato de puro pensar. Longe disso. Pois sinto todas essas ondas, todas essas transformações operando sobre o meu ser. O meu ser. Que pensa ser. É que eu crio a tudo e crio até este eu que pensa estar pensando nela. Não é um puro pensar, repito. A matéria vem junto. As moléculas do meu corpo, todas elas, deslocam-se em ondas de dor. E não é que ela tenha me causado dor. Não é isso. É que o deslocamento da mente pelos ridículos átomos do meu corpo provoca uma certa dor e isso faz parte do processo mesmo. Ela nunca me causou dor nenhuma. Eu sou o causador de tudo por aqui. Até da dor que eu queria muito que tivesse sido ela a causadora. Mas não é assim. Minhas moléculas doem, mas é que a movimentação deste pensar provoca isso. Cada ínfimo pedaço de mim lateja com fúria sempre que isso acontece. A culpa é minha. É um pensar físico. Só pode ser. É um estampido vazio bem no meio do peito, que sobe devagarinho pela garganta, passando por baixo da língua até se alojar em algum canto obscuro atrás da orelha. Pulga vertiginosa, que fica lá, atazanando-me. Até que outro desconforto troque de lugar com a danada. E sempre haverá outra complicação para ocupar esses lugares tão movimentados atrás da minha orelha. São espaços amplos e cheios de preocupações. Eu não posso mais com esses espaços cheios. É muito difícil ser eu. Pois sou um cara cheio de grilos e pulgas, que são as representações animais dessas minhas preocupações. Eu queria que fossem uns animais mais legais. Mas foi isso que o universo me reservou. E acho que foi por isso que ela se foi. É muito difícil viver com este eu. Eu até entendo. É mais fácil viver comigo assim, de longe. Então só me sobra este pensar doloroso. Minhas moléculas agradecem. Mas eu não. Difícil ser. Eu.

- Vaner Micalopulos

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não na escola

foradaescola

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Névoas Etílicas

etilica


NÉVOAS ETÍLICAS DE UMA MENTE QUE É SÓ LAMBANÇA (e um caderno cheio de lembranças)

eu quero o padrão
(agora),
pois isso aqui
é problema
nosso.

“você não sabe
o que eu já judiei
da carcaça.”

claudico-me
dum lado proutro
enfiado nesses dreadlocks
tão limpos
(eu nunca tinha visto
um dreadlock tão limpo
na minha vida).

as mesmas músicas,
os mesmos ciclos,
os mesmos mesmos.

“atrapalhar” é uma palavra engraçada
e eu acho que ela representa bem
(muito bem) aquilo que ela
quer representar:
- dá licença, eu tô atrapalhando?
- tá.

é difícil
manter o foco da mão
quando você
quer que quer
ser o único cara da festa
que não está se fazendo
(mas está).

olha no meu olho
e diz: “não!”

todo novo dia é uma chance
para descobrirmos
que o dia anterior foi menos
todo dia entendível
do que o todo dia de hoje
e que todo dia (sempre)
será menos entendível
do que o todo novo dia
de amanhã.

achou-se tão irresistível
que não viu o previsível.

a memória não chega
mas o caderno sim.

- Vaner Micalopulos

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