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amasso




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desafiando

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assobio quântico

sutil

Assobio quântico que eu agora preciso aturar. Tão clichê citar física quântica. Tão clichê dizer que algo é clichê. Quase tudo é clichê. Mas este assobio, que desdobra minha autoproclamada mente em ondas crispadas de sentimentos quânticos, está aqui, de um jeito nada clichê, abrindo dimensões. Não são as dores de um amanhã, colocando-se como um ontem quase esquecido. Ou uma memória desgarrada, confundindo-se propositalmente com o manancial das informações geradas pelo agora. É uma suavidade primordial. Sem localização. Mas preenchendo todos os lugares. Numa descansada configuração dessa mente quase sutil. Não sou uma pessoa que simpatiza com as sutilezas. Sou ríspido. Mas meu comportamento de átomo bobo me obriga a experimentar outras configurações na vida. Então eu fico sutil de vez em quando. Só pra variar. Quanticamente falando.

- Vaner Micalopulos
*ilustração de Thiago Micalopulos

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seus olhos meus

serial

SEPARAÇÃO CIRÚRGICA

Olhos seus, que bem poderiam ser meus, com o perdão da psicose fofa, tão feio isso, tão coisa antiga, a modernidade é esquizofrênica, não psicótica, a psicose é uma epidemia dos anos oitenta, não que eu entenda do assunto, mas isso saiu legal (analisando a tudo pelo ponto de vista de um diagnosticador de texturas psicológicas), eu apenas acho, honestamente, que deveríamos pensar menos e olhar mais, é esta a maior lição de todas, os poetas falam isso há eras, então não me olha com essa cara de que já era, não adianta decretar o fim do sei-lá-o-quê sem me consultar, eu sei que tenho uma parte menor nisso tudo, nesse troço de nós dois, nesse combinado de olhar torto, mas ainda somos sócios, parte dos seus olhos ainda são meus, e eu ainda me esgano nessa vontade de raptar a essência dos movimentos mais ínfimos dos seus globos oculares gordos (eu falava isso, globos oculares gordos, e você sorria), esses olhos seus, então assumo logo que os queria de uma maneira psicótica, eu sou bem anos oitenta mesmo (está na moda ainda curtir coisas dos anos oitenta?) e tudo daquela década é um super estímulo para os olhos, esses olhos cansados, que não aguentam mais, tudo é imagem hoje em dia, o olhar sofre com isso, e eu sei que o olho é seu, mas é meu também, somos sócios nisso de estarmos cirurgicamente ligados um ao outro, enfim, e é claro que a separação também envolve cirurgias, você pode levar isso no sentido metafórico da coisa se assim quiser, só que eu nunca fui muito bom com metáforas de coisas e, na verdade, eu falei-escrevi tudo que falei-escrevi apenas pra falar-escrever isto: que você cuide melhor dos seus olhos, pois amanhã eles serão meus.

- Vaner Micalopulos
*ilustração de Thiago Micalopulos

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astronomia de idiotas

geotermica
ASTRONOMIA DE IDIOTAS

há uma voz em mim
que desliza calmamente
pelos poros alucinados
de todos os outros eus.

eu estou cheio de eus.

uma voz aqui
um sopro lá:
é muito eu
pra pouco espaço.

os meus eus formam
uma aurora boreal minúscula
no espaço vazio
entre as minhas têmporas
(o espaço vazio é a mente).

eu tenho essas cosmologias
e algumas geologias
rodando dentro de mim.

sou uma placa tectônica
muito louca.

sou uma explosão geotérmica
que sente frio nos pés.

sou uma supernova
sofrendo de uma artrose ácida.

sou uma estrela
muito da metida
alheia ao fato
de que se não fosse por nós
com nossas vãs idolatrias
ela seria apenas
um brilho bobo no céu.

eu sou uma astronomia
de idiotas.

- Vaner Micalopulos

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fotocracia, o texto

fot1

FOTOCRACIA

Nas temperaturas das sombras. Como um portal que se abre, janela depois de janela, em infinitas aberturas que comportam seres já habituados à escuridão. Esquecidos. Já não lembram mais da luz da cidade. E não percebem a verdade, ali iluminada: a luz vê a cidade.

O concreto desenha formas de natureza, numa inversão que nos faz pensar. A luz refrate e reflete e bloqueia suas escuridões primordiais na cortina de pó humano. Toda luz tem um ímpeto inicial em manter-se na treva. A vontade de existir quebra esta preguiça original. Não é muito diferente com as mulheres e os homens da cidade, vivendo submersos numa bruma de plástico que se espalha por todas as direções.

As luzes da cidade ficam mais intensas nas dobras das sombras que se formam nos recortes da arquitetura às vezes tão triste. Tão dura consigo mesma. A luz, na tentativa de suavizar a tudo, apenas aumenta o contraste, aumenta as diferenças, e põe tudo a perder. Ou quase.

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Os sinais luminosos avisam. Orientam. Controlam. Numa sociedade de controle a luz fica como uma prisioneira, tendo hora para existir, tendo hora para se extinguir. Como a humanidade. Meio com hora pra tudo.

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preguiça da raiva

raiva

Num mergulho de pupila dilatada, refletindo, repelindo, cuspindo a tudo como um buraco negro às avessas: eu simplesmente fico. O maior alterador de consciência é a raiva. E eu vejo isso quando você me olha com esses olhos ardentes de pupilas arreganhadas. Eu sei que tem muita raiva dentro desses dois infinitos buracos de nada. E então eu vou longe, lá dentro da minha cabeça, pois a imaginação é uma coisa maravilhosa mesmo, uma coisa sem controle, ela é meio como esse seu humor aí: incontrolável. E isso faz parte do seu charme. Era o que eu achava no começo, ao menos. Agora eu não acho nada. Fico só controlando esses fetiches de sadomasoquismo que eu tenho preguiça ou medo demais para realizar. Pego-me pensando em suas mãos pequenas de escritor ocioso abraçando o meu pescoço num movimento de jiboia destemperada. E, numa associação também preguiçosa, eu penso no abraço bom que era apenas pensar nos seus destemperos, tão bonitinhos em outras eras. E agora tão chatinhos. Acho que tudo se resume a uma espécie quase fofa de preguiça. E eu estou com preguiça de aturar os seus acessos de raiva. Assim eu fico inacessível. Sua raiva faz brotar uma preguiça em mim. Você já foi mais bonitinho. Ou eu que já tive menos preguiça? Dilemas. Sua raiva me dá preguiça. Isso é certo. E você já foi mais bonitinho.

(v.c.k.)

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canalhas

canalhas

AH, CANALHAS.

Os canalhas estão por aí e as canalhas também, porque a canalhice se manifesta de variadas formas e é claro que essa tal canalhice humana não escolhe o gênero, pois é próprio dos dois sexos essa vilania, essa vontade instintiva de estar sempre planejando qual o melhor ponto nas costas do outro pra meter-se uma lâmina, enferrujada, cheia de sujeiras, não importa, que seja uma faca e está bom demais, uma faca nas costas, sempre vindo de onde menos se espera, sempre aparecendo de surpresa, já colocada num ângulo perfeito para perfurar suas costas, o que mostra o planejamento da ação, um ângulo bem feito explica tudo, é claro que essa faca não foi preparada do nada, como é que pode ela vindo num ângulo perfeito desses, pergunto eu, assim do nada, pois bem, nada vem do nada, olha a filosofia arcaica aí de novo, nada vem do nada, então pode acreditar que esse ou essa canalha já deve estar aí do seu lado, afiando a faca, e ele ou ela pode ser quem você menos espera, desconfie, comece pelos amigos, depois passe pelos parentes, a parentada amiga, vai eliminando, acabe com amizades, faça escândalos públicos, surte, analise as reações das pessoas e torça para, numa dessas, o canalha ou a canalha dar as caras, torça pra que ele ou ela apareça na sua frente, mas proteja bem suas costas, porque uma vez exposto, vamos apenas falar no masculino agora, ele torna-se mais perigoso do que quando escondido, mais agressivo, meio pomposo, sua arrogância transborda pelos poros e a canalhice começa a aparecer por todos os cantos, e você começa a perguntar-se como deixara escapar essa canalhice toda, tão evidente, tamanha monstruosidade, tamanha canalhice, palavra boa essa, CANALHA, às vezes dá até uma vontade de conhecer alguns canalhas apenas para encher a boca e mandar um CANALHA de ângulo perfeito e boca cheia na cara deles, mas não, logo desencano, é sempre melhor um canalha a menos na sua vida, deixe assim, deixe estar, seu canalha.

- Vaner Micalopulos

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