VEIA IMPRÓPRIA

veia

VEIA IMPRÓPRIA

Tenho uma veia que me salta em momentos impróprios
e uma sensação formiguenta que agasalha a nuca,
vivo com essa insegurança lógica de achar
que as palavras nos dizem alguma coisa,
então, alinho-as numa ordem perto do reconhecível
e encho meu ego com os orgulhos reafirmados
de quem fala mais do que escreve.

Tenho um monitor apagado diante de mim
e todas as certezas quebradas do diplomado padrão,
o teclado mudo pela primeira distração,
o ambiente pulsando com as convulsões da normalidade,
o latejar das veias que me parecem doentes
marcando o passo das noias químicas
e do bambear inesperado do eixo vital.

Tenho um amor que se distanciará a qualquer instante
e o prenúncio dum medo que não se coloca em palavras,
pois elas não se deixam colocar mesmo,
sóbrias que são em suas chatices de semânticas quadradas
e regras que logo abrem as pernas
para a primeira exceção que lhe aparecem pela frente:
são putas de semiologias baratas essas palavras.

Tenho um amor que se distanciará a qualquer instante
e o prenúncio dum medo que não se coloca em palavras.

(Michel Consolação)





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